Pagamento à vista com dinheiro tem desconto

A palavra de ordem para que o comércio saia um pouco da crise é desconto. Em tempos de pouco dinheiro e prateleiras lotadas de produtos, muitos lojistas estão se apertando aqui e ali e oferecendo mais promoções aos consumidores.

Uma opção que até o final de 2016 era proibida, mas agora é permitida é o desconto para quem paga suas compras à vista, com dinheiro, evitando assim o cartão de crédito ou débito. Normalmente os descontos variam entre 5 e 10%.

O Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) aposta numa nova tendência, principalmente em decorrência da Medida Provisória Nº 764, de 26 de dezembro passado, que autorizou a prática de preços diferenciados conforme o prazo ou o tipo de pagamento utilizado. Vale destacar que a diferença de preços, para mais ou para menos, é opcional, cabendo a cada comerciante ou prestador de serviços decidir se haverá ou não diferença, e de quanto esta será.

“É uma tendência, sim, para atração de cientes. O Sindilojas Niterói já vinha clamando por isso há alguns anos, sendo algo que potencialmente traz avanços tanto para o lojista quanto para o consumidor. A tendência natural é que as compras à vista, em dinheiro, fiquem mais baratas, porque nas transações pagas com cartão o custo para o vendedor sobe cerca de 5%. Todo o comércio, na luta contra a crise econômica nacional, está totalmente interessado em atrair compradores, e preços competitivos são um chamariz e tanto”, disse o presidente do Sindilojas, Charbel Tauil.

Alguns comerciantes como José Augusto Gonçalves, dono de uma loja de bicicletas, estão dando descontos nas compras a vista.

“Dou 5% para quem comprar com dinheiro. Essa é uma maneira que encontramos de atrair clientes. O problema é que a violência fez com que muitos clientes optassem por pagamentos com cartão por medo de assaltos. E a crise fez com que muita gente optasse pelo pagamento parcelado”, disse.

Mesmo assim, ainda há lojistas que optaram por não ceder desconto. Débora Alonso, dona de uma loja de roupas no Centro de Niterói decidiu aderir apenas a promoções de toda a loja.

“Esses descontos já me deram muita dor de cabeça. Acho que ainda é algo mais delicado. Esses preços reduzidos causam um impacto negativo. As pessoas não entendem. Eu reduzo os preços de todas as peças”, explicou.

O Procon informou que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) não possui nenhum artigo específico sobre esse tema. Mas, segundo uma decisão do STJ, é proibida a diferenciação de preços de acordo com a forma de pagamento. Essa sentença toma como base o Artigo 39 do CDC, que trata das práticas abusivas, mas não é específico em relação a diferenças de preço conforme o meio de pagamento. Porém, a Medida Provisória 764, de 26 de dezembro de 2016, autoriza a diferenciação de preços de bens e serviços oferecidos ao público, em função do prazo ou do instrumento de pagamento utilizado.

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