Pacientes temem que Upas tenham equipe médica reduzida

Raquel Morais

Uma das mudanças propostas pelo Ministério da Saúde para flexibilizar regras para novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) está movimentando a classe médica e pacientes. Trata-se da diminuição do quadro de funcionários das unidades, caindo de dois para um médico por turno para novas unidades. A Secretaria Estadual de Saúde informou que não há previsão dessa alteração e as três unidades existentes em Niterói e São Gonçalo – Fonseca, Santa Luzia e Colubandê – continuam com cinco médicos por turno.

A professora Daniele Pereira, 36 anos, é usuária do sistema público de saúde e teme que essa redução nas novas UPAs também passe a valer para as antigas. “Acredito que uma frase explica muito bem essa questão: ‘quem tem dor, tem pressa’. Acho um absurdo a possibilidade de redução do quadro de médicos. Se isso acontecer será uma lástima com a população, que é muito carente e precisa de atendimento de qualidade”, apontou.

O presidente do Sindicato dos Médicos de Niterói, São Gonçalo e Região (SinMed), Clóvis Cavalcanti, também repudiou a alteração. “Isso é um verdadeiro absurdo. Se com o mínimo, que são dois médicos, já é complicado o atendimento público, imagino com um só. Se chegarem dois pacientes graves, um está destinado a morrer. Além dos pacientes serem prejudicados, os médicos das unidades também serão sobrecarregados. É uma falta de respeito com a população e com os profissionais de saúde”, comentou.

As reduções, assim como outras mudanças como número de leitos e diminuição dos especialistas, visam acelerar a abertura de 165 unidades que se encontram fechadas devido à dificuldade de contratação de médicos, entre outros fatores expostos pelo Ministério. A mudança passou a valer no último dia 4. Para o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira, a medida “representa o predomínio da lógica econômica em detrimento dos direitos individuais e coletivos” previstos na Constituição Federal. A Secretaria Estadual de Saúde informou que a coordenação das UPAs de Niterói e São Gonçalo notificou que não há previsão de qualquer alteração no quadro e as unidades continuam com cinco médicos por turno.

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