Pacientes sofrem com precariedades nas UPAs de Niterói e São Gonçalo

Raquel Morais –

A Unidade de Pronto-Atendimento 24 Horas (UPA), no Fonseca, em Niterói, e as UPAs de Nova Cidade e do Colubandê, em São Gonçalo, voltaram a ser alvo de reclamações dos usuários. Demora no atendimento, falta de medicamentos, ar condicionados quebrados e até banheiros interditados há mais de um ano são alguns problemas enfrentados pelos usuários da saúde pública desses municípios. Além dos pacientes estarem insatisfeitos os funcionários dessas unidades também apontam questões graves na administração, como por exemplo, a falta de repasse do valor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) descontado, em contracheque, dos servidores.

Uma funcionária da UPA de Niterói, que não quis se identificar, explicou que desde 2015 o repasse do valor do INSS não está sendo feito, e que uma colega de trabalho precisou ficar respaldada pelo instituto e descobriu que os depósitos não estavam sendo realizados. O pagamento do décimo terceiro salário também atrasou para ser depositado além de problemas graves estruturais que dificultam o atendimento ao público. Faltam remédios básicos, a unidade só funciona com dois tipos de antibióticos e apenas um remédio para problemas com pressão arterial, um dos atendimentos mais realizados pela unidade.

A equipe de reportagem de A TRIBUNA flagrou que dos quatro banheiros disponíveis para o público, apenas dois estão funcionando, sendo que o destinado aos deficientes físicos está interditado desde o ano passado. Faltam sabonetes e papéis para secar as mãos, o chão está com ressaltos em algum tipo de adaptação com placas de madeiras e as cadeiras externas estão quebradas, com ferragens expostas.

“O ar-condicionado só funciona na recepção, e com isso, dentro dos consultórios, da enfermaria e da sala de medicação o calor é insuportável. Já vi paciente passando mal de calor dentro da unidade. Ficamos muito sensibilizados com isso tudo e queríamos dar o melhor atendimento para as pessoas, mas fica muito difícil. A situação da saúde pública está um vexame”, comentou a funcionária.

Na UPA do Colubandê os problemas são menores mas não deixam de existir. O painel eletrônico que chama os pacientes na triagem apresentou defeito na manhã de sexta-feira e o chão está com problemas estruturais e parece que pode ceder a qualquer momento.

“Decidi não esperar pois a fila estava muito grande. Meu pai está com dor e tenho pressa para conseguir atendimento para ele. Acho que essa UPA é uma caixinha de surpresas e as vezes está ótima e as vezes está insuportável”, comentou a dona de casa Mariana da Costa, 34 anos, que decidiu levar seu pai em outro hospital.

Já o motorista Cléber Gomes, 57 anos, elogiou o atendimento que sua mãe teve.

“Ela está com suspeita de pneumonia e não posso reclamar do atendimento. Vi uns problemas estruturais como goteiras, baldes espalhados e o problema do piso”, contou.

Já na unidade de atendimento da Nova Cidade a superlotação é o problema mais relatado pelos pacientes. Por conta do tempo de atendimento ser demorado, outros transtornos são gerados, como excesso de calor, os banheiros não ficam limpos, faltam cadeiras e a logística fica comprometida. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi questionada sobre todos esses problemas e também sobre a média de atendimento (diário ou mensal) das três unidades, mas até o fechamento dessa edição não se manifestou sobre o assunto.

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