Outubro Rosa: No mês da prevenção, histórias de superação

Também conhecido como neoplasia, o câncer de mama é caracterizado pelo crescimento de células cancerígenas na mama. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é o segundo tumor mais comum entre as mulheres, atrás apenas para o câncer de pele, e o primeiro em letalidade. Em 2019, foram estimados 2,1 milhões de novos diagnósticos e 627 mil mortes em decorrência do câncer de mama no mundo. No Brasil, foram previstos 59.700 novos casos da doença. Receber o diagnóstico de um câncer de mama não é fácil. Para a modelo Katharine Bragança, de 27 anos, não foi diferente. Muito vaidosa por trabalhar com a aparência, foi difícil aceitar a perda dos cabelos quando iniciou o processo quimioterápico.

Apesar dos dados alarmantes, a ocorrência do câncer de mama é relativamente rara antes dos 35 anos, e nem todo tumor é maligno, a maioria dos nódulos detectados na mama é benigno. Além disso, quando diagnosticado e tratado na fase inicial da doença, as chances de cura do câncer de mama chegam a até 95%.

“Eu já fazia exames regularmente porque tenho um histórico familiar. Minha mãe e a minha tia tiveram câncer de mama, mas se curaram. Foi um processo bem dolorido para a nossa família, eu era bem criança, mas lembro muito bem da minha mãe passando mal, lembro dela careca”, conta
Katharine descobriu o câncer aos 24 anos, em um exame de rotina e segundo ela, sua maior preocupação foi perder o cabelo.

Festa preparada pela família para receber Katharine
após a última sessão de quimioterapia

“Eu já trabalhava como modelo e estava com muitos trabalhos até fora do país. Minha primeira reação foi pensar no meu cabelo. Depois eu me dei conta de como eu estava sendo egoísta com a minha vida. Minha preocupação tinha que ser me curar. Cabelo nasce de novo. E foi o que fiz. Com o apoio da minha família e de uma psicóloga, iniciei o tratamento de quimioterapia e depois de 16 sessões tive a notícia maravilhosa de que estava curada. Foi uma das melhores notícias que já recebi na vida”, diz.


Segundo os especialistas, o isolamento imposto pela pandemia de Covid-19 prejudicou a notificação dos casos de câncer de mama. O Inca relatou queda de 50% no número de mamografias de rastreamento entre 2019 e 2020; e 39% de diminuição na quantidade de biópsias.


Há 12 anos, a técnica de enfermagem Sara Castilho, de 31 anos faz exames regularmente, depois de ter perdido a mãe, Maria Luiza Ferreira Castilho Mello, para a doença. Segundo ela, se lembra de todo o processo que a família passou. Seu pai, ela e a irmã descobriram o resultado do exame primeiro e tiveram a difícil missão de contar para a Maria Luiza.

Sara Castilho, no dia do casamento com a mãe já diagnosticada


“Minha mãe descobriu o câncer com 51 anos. Ela trabalhava como camelô em Icaraí e era bastante conhecida na época, pela sua simpatia e carisma, e também pelas bijuterias que vendia. Em casa ela percebeu que tinha algo estranho nos seios. Ela procurou um médico e fez exames. Nós soubemos o primeiro porque meu pai foi buscar o resultado e ela não estava em casa. Quando abrimos e vimos ‘maligno’, choramos muito, foi um desespero. Até porque, na época não tínhamos muita informação como hoje. Quando ela chegou e contamos, ela ficou bastante nervosa. A maior preocupação dela era eu e minha irmã. Quem ia cuidar da gente”, lembra Sara.

A conscientização do câncer de mama e o investimento em novas pesquisas sobre o tema ajudaram a criar diversos avanços no diagnóstico e tratamento da doença. Hoje, o câncer de mama não é, necessariamente, uma sentença. A taxa de cura é cada vez mais alta e a paciente pode levar sua rotina com qualidade de vida.


“Ela foi encaminhada para o Inca e logo iniciou o tratamento. Os médicos disseram que não tinha como fazer a retirada dos seios, porque o câncer era agressivo, e já estava se espalhando pra outros lugares. Mesmo assim ela ainda fez um pouco de quimioterapia e depois de radioterapia. Mas sem muito sucesso. Até que um dia eu escutei do médico que minha mãe estava em fase terminal. Era mesmo só um milagre que a salvaria. Se fosse da vontade de Deus. Porque já estava bem avançado.

Sara lembra com muito carinho de todo o cuidado que a mãe sempre teve com ela e a irmã. E diz que ela deveria se cuidar mais, ao invés de se preocupar com todos ao redor. “Ela se preocupava demais comigo e com minha irmã, mas nada com ela. Ela faleceu eu tinha 19 anos e minha irmã 14. A gente cuidou dela até seu último suspiro. Me lembro perfeitamente das imagens. Ela ficou acamada, sem levantar pra nada, muito fraca, sem forças. E ver nessa situação, uma pessoa que, há poucos meses era tão cheia de vida, é inacreditável! Isso mostra que antes de cuidar dos outros, temos que pensar em nós. Isso não é egoísmo, e sim se cuidar para depois cuidar de alguém”.

Mesmo com o sofrimento causado pela doença, o amor cura. Principalmente o amor de mãe e filha. Sara e Maria Luiza, sempre muito unidas. A filha esteve ao lado da mãe todo o tempo. “Minha mãe era o alicerce da casa, a base, o tudo. Ela era a pessoa mais alegre que eu já conheci. Minha mãe faleceu muito rápido, ela descobriu em maio e faleceu em dezembro do mesmo ano. Eu tinha muita fé que ela ia sair dessa. Eu estava com casamento marcado para julho, mas não saía de perto dela. Vivia na casa dela, eu até quis cancelar casamento, mas ela não deixou. Eu dormia direito na casa dela com meu marido”, conta.

De tudo o que aconteceu, Sara ainda consegue enxergar as coisas boas. E fez uma homenagem a mãe. “A lição que ela nos deixou foi a de que muitas vezes a gente dá importância a tanta coisa e não olhamos para nós mesmo. Hoje eu tenho uma filha chamada Maria Luiza, em homenagem a ela. Porque lá foi e sempre será a mulher mais importante da minha vida”.

A médica ginecologista, Dra. Ana Sodré, já atendeu mais de 100 mil mulheres ao longo dos 25 anos de carreira e quando questionada sobre diagnóstico tardio sobre câncer de mama a especialista explicou sobre a importância das consultas de rastreamento de diagnóstico. “Hoje as mulheres têm mais opções e fazem consultas e atendimentos para uma mamografia. O grande problema é a falta do entendimento que existem dois perfis de exames da mama: o de rastreamento, que é feito em pacientes assintomáticas, e o de diagnóstico, que são para pacientes que apresentam sintomas”, contou.

Ana Sodré, ginecologista, já atendeu a mais de 100 mil mulheres em 25 anos de carreira

O protocolo do Ministério da Saúde orienta que pacientes assintomáticas façam as mamografias bianuais. Já para pacientes sintomáticas, o exame da mamografia deve ser feito em qualquer momento, com pedidos de exames o mais rápido possível. “A pessoa sente algo e vai ao médico. Mas desse jeito corre o risco de a doença já estar avançada. O sintoma mais comum que a paciente espera é o nódulo. Só que existem cânceres sem nódulos, que se manifestam como uma alergia na mama”, exemplificou Sodré.

E por este motivo, a médica é enfática ao alertar que o autoexame, ou o exame do toque para a identificação do nódulo nada tem a ver com prevenção e cuidado, visto que se um caroço apareceu aquele já pode estar num nível avançado.

Sobre o tratamento a médica é otimista. “Primeiro é importante o diagnóstico e depois o estadiamento. Assim é feito o tratamento que pode ser desde a radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e cirurgia”, finalizou.

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