Os cuidados com as mamas além do Outubro Rosa

Especialistas alertam que a atenção aos seios inclui outros aspectos, inclusive o cuidado com a mente

O mês dedicado à campanha de combate ao câncer de mama chegou, mas o cuidado que se deve ter com os seios vai muito além do Outubro Rosa. Especialistas alertam que é necessário a mulher que passar por algum tratamento cuidar da saúde mental. Além disso, explicam que os cuidados também precisam ser seguidos por quem usa prótese de silicone.

O Brasil é país onde este é o segundo tipo de câncer com mais incidência na população feminina. Sessenta e seis mil casos novos de câncer de mama são estimados para o ano de 2021 no país, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer do ano passado. Portanto, é de suma importância que se fale sobre a importância de um maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento preventivo o que reduz a mortalidade. E dentro desse tratamento, é preciso também ter atenção à mente.

Reação à descoberta da doença

A psicanalista Andréa Ladislau explica como é fundamental o acompanhamento familiar e muitas vezes psicológico quando a mulher recebe esse tipo de diagnóstico, pois as cicatrizes físicas e emocionais do câncer de mama não podem ser negligenciadas durante e após o tratamento.

“Podemos dar algumas dicas para que o cuidado e o olhar para este paciente possa ser o mais humanizado possível. Um dos pontos mais importantes é buscar ficar mais próximo desse indivíduo, tentar mostrar que não precisamos de grandes momentos para estarmos juntos e que temos que aproveitar cada minuto e admirar as coisas simples da vida. Incentivar o paciente a fazer o que gosta, buscando, assim, tornar a vida mais leve e valorizar os pequenos e grandes prazeres é primordial”, argumenta.

Andréa Ladislau é psicanalista. Foto: Reprodução/Site oficial

Andréa também explica que é fundamental o estilo de vida, mudando hábitos alimentares se necessário, desde que com a concordância do profissional que faz o acompanhamento da paciente. E um outro ponto que a psicanalista destaca como importante, é o apoio à mulher durante os exames, pois isso também pode interferir no psicológico de quem faz o tratamento.

“Quando o paciente compreende que sua cura também depende muito de sua saúde mental, do seu estado de espírito, da sua resiliência e da postura em relação ao enfrentamento da doença, ele já sai na frente em ganho de melhoria de vida, de qualidade e de absorção de todos os benefícios que o tratamento possa lhe oferecer, independentemente do tipo de câncer a ser enfrentado. É muito importante manter o pensamento positivo e acreditar que a cura é possível. Se lamentar não vai mudar absolutamente nada. A situação está ali, definida. É necessário buscar alternativas e forças para enfrentar o desafio junto com o desejo de viver da melhor forma: bem e agora”, explica.

Prótese de silicone como mito

Em 2013, a atriz norte-americana Angelina Jolie veio à público dizer que tinha retirado ambos os seios como forma preventiva de evitar desenvolver câncer de mama. Segundo declarações da artista à imprensa na ocasião, ela afirmou que os médicos estimaram que ela tinha um risco de 87% de desenvolver câncer de mama e de 50% de ter câncer de ovário.

No Brasil, esse procedimento é o mais comum entre as mulheres, com 211.287 cirurgias por ano, de acordo com dados de 2019 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Mas será que isso pode ser considerado um método preventivo?

Flávia do Vale é ginecologista do Hospital Icaraí. Foto: Divulgação

Segundo Flávia do Vale, Ginecologista Obstetra e coordenadora da Maternidade do Hospital IcaraÍ, não há nenhuma evidência clínica de que a mastectomia ajuda na prevenção ao surgimento do câncer de mama. Além disso, a colocação de silicone pode até atrapalhar um diagnóstico precoce.

“Não há evidências de que os implantes mamários aumentem o risco de desenvolver câncer de mama. Porém, as próteses mamárias, podem obscurecer as imagens da mamografia, diminuindo a capacidade das mamografias de detectar o câncer de mama”, explica Flávia complementando que a mamografia continua sendo a ferramenta de escolha para o rastreamento do câncer de mama.

Flávia acrescenta que os médicos podem recomendar outros exames adicionais para completar o rastreio de câncer de mama nessas pacientes como a mamografia tridimensional (também chamada de tomossíntese) ou a ressonância magnética das mamas. Finalizando, a médica lembra que apesar das limitações do rastreamento mamográfico em mulheres com implantes, sua sobrevivência não é diferente.

“O resultado em pacientes que desenvolvem câncer de mama, mesmo com implantes, é o mesmo daqueles sem implantes” conclui.

Hospital do Ingá iluminado de rosa

Como parte da celebração do Outubro Rosa, desde 30 de setembro que o Hospital das Clínicas do Ingá tem a fachada da unidade iluminada com a cor destinada ao mês da campanha.

Hospital do Ingá está com a fachada iluminada com a cor do Outubro Rosa. Foto: Divulgação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 + dez =