Orelhões em via de extinção

Raquel Morais –

Os antigos telefones públicos, conhecidos por ‘orelhões’, estão cada vez mais escassos em Niterói. Se antes do aparelho celular os telefones de rua eram uma forma de comunicação inovadora, com a a ficha e depois o cartão, hoje em dia é difícil achar uma pessoa usando o telefone. Na cidade, houve redução de 10,52% no número de aparelhos entre 2016 e este ano. Segundo a empresa de telefonia Oi, responsável pelos equipamentos, existem cerca de 1,7 mil orelhões em Niterói. No ano passado eram 1,9 mil.

Os que ainda sobrevivem não funcionam como deveriam. Muitos não ‘dão linha’, estão quebrados, com display apagado, fios expostos e propagandas até de cunho sexual. O cozinheiro Sandro Clahs, de 40 anos, confessou não ter ideia da última vez que usou um telefone público.
“Só a minha linha de telefone celular eu já tenho há 12 anos. Não sei nem onde comprar cartão para ligar. Acho que é um item importante para muitas pessoas que não têm condições de comprar um aparelho móvel. Acho que deveria haver mais equipamentos desses na cidade, com melhor qualidade, cuidados e sem propagandas, principalmente as pornográficas. Ou seja, ter mais assistência das operadoras”, comentou.

A Oi informou que no primeiro semestre de 2017 foram danificados por atos de vandalismo 13,1% dos orelhões instalados no estado do Rio de Janeiro, de um total de 68 mil equipamentos. Os principais problemas decorrentes do vandalismo são: defeitos em leitora de cartões, em monofones e teclado, além das pichações e colagem indevida de propagandas nos aparelhos e nas folhas de instrução de uso, prejudicando o entendimento das orientações pelos usuários. Em alguns casos, as equipes da empresa consertam e limpam os aparelhos e eles são danificados no mesmo dia.

Cerca de 65% dos orelhões não geram chamadas tarifadas e 51% fazem menos de uma chamada por dia. “A migração do consumo de voz fixa (acesso individual ou telefone público) para voz móvel faz parte da evolução da telefonia em todo o mundo, inclusive no Brasil. Com a queda no consumo nos orelhões, hoje, apenas 0,02% da planta de telefones públicos da Oi gera receita suficiente para o pagamento do seu próprio custo de manutenção”, informou a operadora.

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