Operário morre após desabamento em obra no Ingá

Um operário de uma obra morreu após ser soterrado por um muro que caiu em cima dele, na manhã desta segunda-feira (05), na esquina das ruas Tiradentes com Doutor Paulo Alves, no bairro do Ingá. De acordo com informações de operários que trabalhavam no local, os homens cortavam as vigas quando a laje desabou soterrando o colega de trabalho, Renato Magalhães, de 33 anos. Os outros quatro conseguiram sair apenas com escoriações. O Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontou na tarde de ontem, que desde o começo de 2017, ao menos um trabalhador brasileiro morreu a cada quatro horas e meia, vítima de acidente de trabalho.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 9h30min e conseguiu retirar o operário, ainda com vida, de acordo com testemunhas. Porém, a direção do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, na Zona Norte de Niterói, informou “que o paciente deu entrada na unidade já em óbito”. Até o fechamento dessa edição ainda não tinha sido divulgado o nome nem a idade do trabalhador.

A Defesa Civil Municipal esteve no local para vistoria das condições de trabalho, documentações necessárias e possível causa do acidente de trabalho, além de ver se alguma outra estrutura próxima foi comprometida. Em nota, o órgão informou que a obra foi interditada, até que os responsáveis apresentem a documentação necessária.

O local está passando por intervenções há uns dois meses, já que funcionava um posto de combustível. A placa indicativa mostra que será construída uma farmácia no espaço. “O barulho foi grande e ouvimos gritos dos trabalhadores desesperados. Foi muito tenso e depois ouvi o bombeiro chegando. Foi tudo muito rápido e lamentável”, comentou o morador de um apartamento perto da obra que não quis se identificar.

ACIDENTE DE TRABALHO
O observatório divulgou ainda que entre o começo do ano passado e as 14h de hoje, foram registradas 675.025 comunicações por acidentes de trabalho (CATs) e notificadas 2.351 mortes. Ainda de acordo com o observatório, entre 2012 e 2017, a Previdência Social gastou mais de R$ 26,2 bilhões com o pagamento de auxílios-doença, aposentadorias por invalidez, auxílios-acidente e pensões por morte de trabalhadores. As notificações de acidente de trabalho mais frequentes foram no ramo hospitalar e de atenção à saúde, público e privado, onde foram registradas 10% das CATs. Na sequência aparecem o comércio varejista (3,5%); a administração pública (2,6%); Correios (2,5%) e a construção (2,4%), seguido pelo transporte rodoviário de cargas (2,4%). Entre os profissionais mais vitimados estão os que trabalham em linhas de produção; os técnicos de enfermagem; faxineiros; serventes de obras e motoristas de caminhões.

MAIS CASOS
No início desse ano, 9 de janeiro, um trabalhador também foi vítima de um acidente de trabalho em um canteiro de obras, mas sobreviveu. O homem, Luciano Mendonça Tavares, de 18 anos, estava em seu primeiro dia de trabalho na Rua Tavares de Macedo, em Icaraí, quando um bloco de concreto caiu, e ficou escorado em uma sapata. O homem ficou preso por cerca de quatro horas até o resgato conseguir retirar o bloco, com aproximadamente duas toneladas.

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