Operadora Oi deixa Barra de Maricá fora de área, segundo moradores

Clientes da operadora Oi, residentes em Barra de Maricá, Cordeirinho e adjacências, foram surpreendidos, no mês passado, com o repentino anuncio de que a empresa, a partir de agosto, não iria manter mais os seus serviços de telefonia fixa e internet na região. Usuários confirmam que o serviço já se encontra paralisado desde o início do mês.

Em denúncia feita à reportagem de A TRIBUNA, uma moradora da Barra de Maricá, que pediu para não ter sua identidade revelada, e que é cliente da Oi há mais de 30 anos, explica que a empresa entrou em contato com ela várias vezes avisando que ela precisaria buscar o serviço de outra operadora.

“A senhora pode ir se preparando aí! Quando o telefone der problema, a internet der problema, não haverá mais conserto. O serviço vai acabar. Os cabos são de cobre e está tendo muito furto na região”, explica a moradora.

Ainda de acordo com a denunciante, desde dezembro do ano passado, a situação de precariedade do serviço prestado pela Oi vem causando diversos problemas em sua conexão com a internet. “Desde dezembro, a internet ficou muito ruim. Passamos uma, às vezes duas semanas sem internet. Daí eles consertam, mas, logo em seguida, dá problema novamente, e assim vai”, desabafa a cliente da Oi.


A moradora descreve que, nos últimos meses, várias empresas regionais de internet que operam por meio de fibra óptica, sem necessidade de linha fixa de telefone, estão se instalando na região. A denunciante acredita que essas “pequenas operadoras” são responsáveis por estarem sabotando a Oi.

“O que eu soube de algumas pessoas daqui é que a empresa Leste Telecom está expandindo sua rede de fibra óptica em Maricá, atuando em vários bairros da cidade. Eu, inclusive, precisei instalar a internet deles aqui em casa. Antes de contratar o serviço deles, eu me informei e vários de meus vizinhos confirmaram que já usam a internet deles há algum tempo. Cheguei a comentar com um deles que estava preocupada, que não queria me envolver em alguma enrascada, mas ele me tranquilizou informando que não era internet de milícia não”, explicou a moradora.

A denunciante também relata que a Leste Telecom não é a única operadora de internet que vem se instalando na região. “Tem outras empresas que parece ser coisa de miliciano. Ficam uns carros rodando por aqui, distribuindo folhetos de casa em casa, mas ninguém quis colocar a internet deles. Eu acho que isso é ‘coisa fria’. Passaram várias semanas com funcionários mexendo nos postes, mas, de repente, sumiram”, observa.

Sobre a qualidade do serviço prestado pela Leste Telecom, a moradora da Barra de Maricá confessa que não acredita no que a empresa afirma. “Eles falam que a internet deles oferece 200 Mega, mas tenho certeza que não chega a isso. A outra [se referindo a Oi] pegava no meu quintal e o sinal chegava até o meu portão. Essa agora, não chega até lá fora, ou seja, não tem os 200 Mega que eles falam. É só propaganda”, lamenta a denunciante.

Esclarecimentos da Oi

Por meio de nota, a Oi informa que vem sendo vítima de furtos e vandalismo em sua infraestrutura de telecomunicações, o que, segundo a empresa, impacta diretamente na manutenção e qualidade dos serviços prestados na região. Sobre a denúncia apresentada, a Oi nega os fatos relatados e esclarece que o serviço de telefonia fixa continua sendo prestado na região, tendo sofrido apenas uma mudança em sua tecnologia que, ainda de acordo com a empresa, foi necessário mediante o desequilíbrio dos custos operacionais resultante dos serviços baseados na tecnologia cobre. Segue abaixo a íntegra da nota.

“Em virtude da ação de criminosos, a Oi vem sendo recorrentemente vítima de furtos e vandalismo na sua infraestrutura, o que impacta na manutenção e disponibilidade dos serviços de telecomunicações em algumas regiões do Rio de Janeiro. A companhia vem notificando a Polícia Civil, assim como a Anatel, sobre as dificuldades em manter os seus serviços nessas localidades de alta incidência de furtos.

A Oi tem oferecido aos clientes dessas regiões, incluindo Barra de Maricá, a possibilidade de troca do serviço de telefonia fixo baseado em cobre para a tecnologia WLL (Wireless Local Loop), que funciona sem fio e permite a manutenção do número de telefone, sem qualquer alteração do valor do serviço. Além disso, existem também alternativas para banda larga fixa por meio de internet móvel, oferecida hoje tanto pela Oi quanto por outras operadoras móveis do mercado.

A Oi esclarece que o serviço de telefonia fixa continua sendo prestado na localidade e que a mudança de tecnologia está sendo realizada devido à insustentabilidade dos serviços prestados em regime público da telefonia fixa e ao desequilíbrio de custos resultante para os serviços baseados na tecnologia de cobre. A Oi reitera que segue trabalhando para garantir a prestação de serviços a todos os seus clientes com qualidade e a melhor experiência.”, conclui nota enviada pela empresa.

Leste Telecom e Polícia Civil

A reportagem de A TRIBUNA solicitou, por diveresas vezes, esclarecimentos sobre a denúncia de precariedade na prestação de serviço da operadora Leste Telecom, contudo, até o fechamento desta edição, a empresa não respondeu aos questionamentos apresentados pela denunciante.

No início dessa semana a Leste Telecom divulgou, em suas redes sociais, um comunicado a seus clientes do Condomínio Residencial Carlos Marighella, em Itaipuaçu, Maricá, esclarecendo que a empresa deixará de prestar serviço na região devido a ação de traficantes. No comunicado, a empresa explica “que pela segunda vez em menos de uma semana fomos impedidos por traficantes de prestar serviços no local [se referindo ao condomínio Carlos Marighella].

Já a Polícia Civil informa que o setor de roubos e furtos da 82ª DP (Maricá) investiga ocorrências de roubo de cabos em diferentes regiões da cidade, inclusive com apreensões já realizadas. Sobre os fatos denunciados pelas empresas Oi e Leste Telecom, a polícia esclarece que, pelo menos nos dois últimos meses, a empresa não localizou registros relatando as ocorrências citadas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × 3 =