‘Operação Égide’ divulga primeiro balanço

Quase mil veículos abordados e aproximadamente uma tonelada de drogas apreendidas. Este é parte do balanço dos quatro primeiros dias da Operação Égide, deflagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com a corporação, os dados foram contabilizados entre sexta-feira (1º) e segunda-feira (4), na Ponte Rio-Niterói, Avenida do Contorno e Rodovia Niterói-Manilha.

Os três trechos são responsáveis por ligar a cidade do Rio de Janeiro ao município de Itaboraí, na Região Metropolitana, passando por Niterói e São Gonçalo. O levantamento, obtido em primeira mão pela reportagem de A TRIBUNA também destaca a apreensão de 265 mil maços de cigarro e 44 veículos recolhidos e outros seis recuperados. 28 criminosos foram presos. Vejas, a seguir, o levantamento detalhado:

– 44 veículos recolhidos

– Quase mil veículos abordados

– 28 prisões

– Quase uma tonelada de droga apreendida

– 265 mil maços de cigarros apreendidos

– 4 armas de fogo apreendidas

– 118 munições apreendidas

– 6 veículos recuperados

Especialista aponta importância de investigações

A Operação Égide vem realizando trabalho preventivo a crimes em rodovias federais. Entre elas estão a Ponte Rio-Niterói, Avenida do Contorno e Niterói-Manilha, trechos da BR-101 que conectam o Rio de Janeiro a Itaboraí, por exemplo. Para o sucesso da ação, o professor Doriam Borges aponta a importância do trabalho de investigação.

De acordo com o especialista, que é pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ações voltadas para trabalhos de inteligência além de terem maior margem de acerto, também previnem ocorrências de conflitos bélicos, possibilitando que as ações tenham menor incidência de feridos. Além disso, Borges aponta que a própria divulgação da duração (1ª/10 a 15/01) visa reduzir, indiretamente, a atuação de criminosos.

“Essas operações devem ser definidas por meio de trabalho investigativo. A divulgação das datas está relacionada a algumas políticas públicas e tem o efeito para reduzir a atuação do transporte de cargas ilegais. Tem um efeito indireto, mas que é importante e preventivo. Essa renovação da Operação Égide foi de aumento do efetivo, mas acho que o investimento deveria ser maior em estratégias ligadas à inteligência”, explicou.

Para que isso ocorra, Borges avalia como essencial a integração da PRF com as demais forças de segurança. É importante ressaltar que esse é um dos objetivos da Operação Égide. O pesquisador também avalia que, para além das estradas, é necessário ter atenção com outros caminhos alternativos que também possam ser utilizados pelo crime organizado para transportar materiais ilícitos.

“Isso dialoga com a integração com outras forças de segurança, o que é muito importante. Seja no sentido de como a operação vai ser realizada quanto na questão da investigação. As polícias têm seus departamentos de inteligência e isso pode ajudar a operação a estar em locais mais estratégicos, não só nas estradas, mas em outros caminhos que precisam ser investigados e evite tiroteios”, prosseguiu.

Pós-operação

Analisando um cenário pós-Operação Égide, que está prevista para terminar em 15 de janeiro, Doriam Borges acrescenta que o trabalho de prevenção deve ser constante. Uma das alternativas apontadas pelo pesquisador é as demais forças de segurança usarem os dados coletados durante a operação para arquitetar ações preventivas de forma agregada.

“Esse tem que ser um trabalho constante. É muito complicado pensar numa data de início e numa data de fim. É um fenômeno contínuo. Já sabendo que a Operação Égide tem uma data para ser finalizada as outras forças deve usar dessas informações para realizar sua atuação. Não apenas as Polícias Militar e Civil, mas também a Polícia Federal e outros órgãos atuarem de forma agregada”, pontuou.

Questão social

Em casos como o de São Gonçalo, a Rodovia BR-101 é cercada por comunidades como as que compõem o Complexo do Salgueiro e o bairro do Jardim Catarina. Ambas as regiões possuem situação de vulnerabilidade social, fazendo com que cidadãos inocentes precisem se submeter às regras do crime organizado. Doriam Borges vê de forma positiva ações em conjunto com entidades que atuem em prol dessa população, mas faz uma ressalva quando ao eventual compartilhamento de informações estratégicas.

“A associação com entidades voltadas ao social sempre é importante, mas tem alguns riscos. Informações estratégicas não podem ser passadas para outras organizações, mas é importante a integração no sentido de ajudar na prevenção e no cuidado. Considerando que vai te ruma ação policial, abordagens, as organizações sociais podem estar preparadas. Não apenas as entidades, mas tudo o que envolve a comunidade”, completou.

A operação

Além do Rio de Janeiro, a Operação Égide acontece em outros oito estados (SP, MG, GO, MT, MS, PR, SC e RS) pelo menos até janeiro de 2021. Segundo a PRF, o objetivo é reprimir a entrada de armas, drogas e munições no país, por meio dos estados que fazem fronteira com outros países. Em relação ao Rio, será feito um trabalho para coibir a chegada desses materiais para abastecer as facções criminosas que atuam no estado.

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