Ópera na Tela de setembro traz repertório de Mozart

O Festival Ópera na Tela, exibido na UFF uma vez por mês, é uma mostra inédita dedicada ao gênero da ópera. Mais uma vez tornando acessível a atualidade lírica ao público brasileiro, o Ópera na Tela de setembro traz ao Cine Arte UFF “A Flauta Mágica” no dia 02 de setembro, às 10h30min. Fruto de uma colaboração entre cantores da famosa Academia de Teatro Alla Scala de Milão, A Flauta Mágica tem entre seu elenco e produção futuras estrelas líricas e um dos maiores diretores atuais, familiar das óperas de Mozart.

A ópera traz uma história intensa, cheia de momentos dramáticos, causando comoção. A Rainha da Noite dá a missão ao príncipe Tamino de salvar sua filha Pamina, prisioneira de Sarastro, grande sacerdote de Isis e Osiris. Tamino, acompanhado de Papageno, deverá enfrentar muitas provações – manter o silêncio, atravessar a água e o fogo – antes de ser iniciado ao culto sagrado e encontrar Pamina.

Essa foi a única ópera composta por Mozart especificamente para um público popular. A Flauta Mágica, que pode ser apreciada como um conto de fadas, traz também símbolos de maçonaria – à qual Mozart aderiu em 1785. O compositor austríaco a compôs simultaneamente a La Clemeza di Tito e boa parte de seu Réquiem, em um processo bastante exaustivo. Nove semanas após a estreia, morre o grande compositor.

O diretor de ópera e de teatro Peter Stein procurou, nesta produção, transformar os cantores aspirantes em verdadeiros autores, capazes de dominar o texto em alemão da Flauta Mágica, com muitos diálogos intensos. Peter Stein restitui o ambiente original do conto de fadas de Schikaneder nessa produção, que é bem clássica tanto nos cenários quanto nos figurinos. A maquinaria vienense do teatro “popular feérico” é utilizada por completo: os personagens e os objetos aparecem e desaparecem por cima ou pelo assoalho do palco, as iluminações são abundantes e singulares, os barulhos da cena são acentuados. A tendência de Stein de não propor uma interpretação pessoal da história permite que A Flauta Mágica ressurja na sua dimensão complexa de conto de fadas para adultos.

As participações de Yasmin Özkan (A Rainha da Noite) e de Martin Summer (Sarastro) são muito promissoras, mas as mais remarcáveis são as do casal principal: Martin Piskorski, no papel de Pamino, sabe criar um clima de tensão dramática na cena do confronto com Sacerdote e revela uma voz límpida de uma ponta a outra da obra. A seu lado, a cantora egípcia Fatma Said faz uma Pamina com um charme mediterrâneo, se exprimindo em alemão numa dicção perfeita, se mostrando particularmente comovente na expressão dos seus tormentos interiores e conservando a mesma intensidade e justeza de tom.

A magistral direção musical, conferida ao maestro húngaro Ádám Fischer, que volta ao púlpito pela primeira vez desde 1998, dá à orquestra da Academia uma qualidade sonora particular, ao mesmo tempo luminosa, enérgica, brilhante e transparente, doce e suave, gerando contrastes dinâmicos de forma equilibrada ao longo da partitura, e tomando cuidado para não cobrir a voz dos intérpretes.

A classificação etária é livre e os ingressos custam R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia-entrada). O Cine Arte UFF fica na Rua Miguel de Frias, 9 em Icaraí.

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