ONU denuncia assassinato de jornalista de Maricá

Raquel Morais –

A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o assassinato do jornalista Romário da Silva Barros, morto com três tiros no dia 18 de junho, e reforçou que não vai permitir a impunidade para esse caso. Em 25 de maio outro jornalista maricaense, Robson Giorno, de 45 anos, também foi morto a tiros em Araçatiba. Os esclarecimentos desses homicídios ainda não estão claros pela Polícia Civil e os casos serão lembrados no Congresso Estadual de Jornalistas, que acontecerá hoje, das 10h às 18h, na Câmara de Vereadores de Niterói, no Centro da cidade, com debate sobre a violência contra os jornalistas.

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Audrey Azoulay, comentou o caso mais recente. “A Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece a liberdade de expressão como um direito humano fundamental, e é imperativo que as pessoas que usam a violência para enfraquecer esse direito sejam levadas à Justiça. Não se deve permitir que a impunidade prevaleça, uma vez que ela autoriza a continuidade de ataques violentos à mídia”, contou Azoulay.

De acordo com nota da Unesco, o órgão promove a segurança de jornalistas por meio da conscientização, do desenvolvimento de capacidades e de uma gama de ações em âmbito mundial, das quais se destaca o Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro aguarda as apurações das autoridades de Segurança do Estado para que esses crimes não passem impunes. Segundo nota, hoje, no plenário da Câmara, acontecerá o Congresso Estadual de Jornalistas, com as presenças do presidente da Associação dos Jornalistas Correspondentes Estrangeiros no Brasil, do presidente da ABI e de uma representante da ONU. Na ocasião, entre outros temas que serão debatidos, “A violência contra os jornalistas” mostrará pesquisa em que o Brasil está entre os países que mais perseguem e matam jornalistas e que o Estado do Rio tem uma marca vergonhosa e deplorável neste sentido.

DOIS JORNALISTAS MORTOS
Na madrugada do dia 18 de junho o jornalista Romário Barros, de 31 anos, dono do portal de notícias Lei Seca Maricá (LSM), foi morto com três tiros dentro do próprio carro, próximo a Lagoa Araçatiba, em Maricá. Romário tinha acabado de correr nas imediações do Fórum, entrou no carro e um homem que estava num carro atrás abriu a porta e fez os disparos. Dois dos tiros acertaram a cabeça e um o pescoço do jornalista. O autor do crime, que estava com pelo menos mais uma comparsa, entrou no carro e fugiu.

Já no dia 25 de maio o jornalista Robson Giorno, de 45 anos, também foi morto a tiros em frente a sua residência, na Avenida Prefeito Ivan Mundin, no bairro Boqueirão. Ele era proprietário do Jornal O Maricá e chegou a ser pré-candidato a prefeito da cidade nas eleições de 2016.
A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento e não há novidades até o momento.

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