Ônibus intermunicipais poderão ser monitorados por satélite

Raquel Morais –

A violência assombra cada vez mais a população e Niterói não fica de fora disso. A insegurança está dentro de casa, onde as pessoas não se sentem mais protegidas, dentro de estabelecimentos comerciais e em diversos lugares. O transporte público também está nessa lista, já que comumente vira alvo de bandidos que roubam passageiros e os profissionais como motoristas e cobradores. Um projeto de lei do ex-deputado Milton Rangel visa melhorar a segurança de alguns coletivos através de rastreamento via satélite.

Para fazer parte da lei é preciso que os ônibus tenham mais de 20 lugares e façam trajetos intermunicipais. Além desse monitoramento, a instalação do “dispositivo de pânico” também entrou em pauta pelo projeto 603/15. Segundo texto, o sistema também deverá permitir a comunicação entre o veículo e a empresa responsável e será integrado a uma central de monitoramento em contato direto com os órgãos de segurança. “Esse projeto é de muito interesse da população. A inspiração veio daquele período em que vimos arrastões nos ônibus, com assaltos e destruição dos veículos na cidade do Rio. Mas atende aos intermunicipais de todas as modalidades. Podemos, por exemplo, monitorar em tempo real nossas barcas para combater roubos e problemas como incêndios”, argumentou o deputado.

A possibilidade de aprovação da normativa deixa os profissionais da área preocupados. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), Rubens dos Santos Oliveira, explicou que o sindicato é a favor da instalação do equipamento de rastreamento dos coletivos, pois isso aumenta a segurança dos rodoviários e dos passageiros. Mas discorda em relação ao ‘dispositivo de pânico’, que deveria ser acionado pelo motorista. “Infelizmente, hoje o motorista de ônibus tem que ser cobrador, cuidar de idosos, estudantes e deficientes, inclusive cadeirantes, que embarcam nos veículos. Agora será agente de segurança pública? Não seria melhor que esse dispositivo estivesse ao alcance de todos os passageiros? Ao incumbir o motorista de mais essa missão, o projeto o tornará um alvo, pois ele estará sempre naquela linha e os marginais podem encontrá-lo em outra viagem e promover uma vingança. Isso sem contar que os motoristas já estão sobrecarregados de tarefas, sendo a principal conduzir o coletivo com segurança dentro das leis vigentes”, pontuou.

O serralheiro Victor Manuel Gomes, de 65 anos, utiliza o ônibus que faz o trajeto Niterói-Alcântara e gostou das propostas. “Acho uma medida muito boa para todos que utilizam o transporte público. Sempre que eu pego o ônibus eu tenho medo de algo ruim acontecer e há muitos anos eu tenho um código com a minha mulher. Quando eu subo no ônibus para ir para casa eu ligo para ela e aviso que estou dentro do coletivo”, frisou. Se aprovada a norma vai valer para todos os transportes intermunicipais, incluindo barcas e trens por exemplo.

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