Ônibus incendiado na Riodades foi atacado por mulheres e adolescentes

Augusto Aguiar

“Estavam todos com os rostos cobertos (usavam camisas enroladas na cabeça). Eram mulheres e adolescentes, sendo que pelo menos um deles estava armado com uma escopeta calibre 12, e ordenaram que os passageiros que estavam no coletivo descessem, senão iriam morrer”. A informação foi apurada pela equipe de investigação da 78ª DP (Fonseca), do titular delegado José William de Medeiros, que instaurou procedimento para apurar e prender os acusados de envolvimento no incêndio criminoso de um ônibus da linha 22 (Fonseca-Centro), Viação Ingá, na noite de quinta-feira (24), na Rua Riodades.

O delegado deixou bem claro que não teria dúvidas que o ataque e a destruição do ônibus teria sido ordenado por traficantes, ligados à facção criminosa TCP, no Morro do Pimba. Menos de 24 horas antes, na noite de quarta-feira, policiais militares do 12º BPM trocaram tiros com criminosos na localidade, confronto que deixou saldo de três mortos, além da apreensão de armas e drogas. “Trata-se de uma represália dos criminosos. Estamos apurando as informações recebidas, inclusive de quem teria partido a ordem para incendiar o coletivo. Também vamos solicitar imagens de câmeras de segurança da empresa e as instaladas no perímetro da região para identificarmos os responsáveis. Estamos disponibilizando o telefone 99315-2472 (whatsapp da 78ª DP), além do Disque Denúncia (2253-1177), do facebook Delegacia Fonseca”, afirmou José William, acrescentando que passageiros do ônibus já foram ouvidos pela 78ª DP.

Na manhã de sexta-feira a Fetranspor divulgou uma nota de repúdio contra o ataque e destruição do ônibus. “A Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) manifesta seu repúdio ao ataque a ônibus ocorrido na noite desta quinta-feira, na Praça da Riodades, no bairro Fonseca, em Niterói. O coletivo da linha 22 (Largo do Moura x Centro) foi incendiado por volta das 21h. Ao todo, 148 veículos já sofreram ataques no estado do Rio desde 2014. Somente em 2016, 38 ônibus já foram atacados no Rio de Janeiro. De acordo com levantamento da Fetranspor, nos últimos 12 meses 40 veículos saíram de circulação por ataques criminosos. Com isso, o estado do Rio contabiliza um veículo inutilizado a cada oito dias. A reposição da frota destruída está estimada em mais de R$ 20 milhões. Para repor um veículo incendiado é preciso até seis meses entre encomenda, montagem, entrega e licenciamento. Durante esse período, 70 mil passageiros (cada ônibus urbano) ou 210 mil passageiros (articulado) deixam potencialmente de ser transportados. A reposição pode ser dificultada num cenário de crise no setor, como o atual – seis empresas paralisaram suas atividades no último ano na capital, por causa das dificuldades financeiras e das condições de financiamento mais rígidas na linha de crédito de bancos públicos e privados para compra de ônibus”.

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