Ônibus em Niterói: é melhor esperar sentado

Situação segue precária na região com linhas extintas e poucos ônibus

Enquanto usuários das barcas comemoraram, nesta quinta-feira (18), o retorno da grade de horário do período pré-pandemia, moradores de vários bairros da Zona Norte da cidade continuam sofrendo com longas esperas por ônibus que podem chegar a mais de uma hora. Situação permanece mesmo mediante a liberação para retomada das atividades presenciais de diversos setores.

Moradores de bairros da Zona Norte da cidade como Caramujo, Morro do Céu, Riodades e Largo do Cravinho, entre outros, continuam denunciando diversos problemas nas linhas de ônibus que atendem a região. Passados mais de seis meses desde a primeira reportagem de A TRIBUNA sobre o caso, nova visita ao Terminal João Goulart, no Centro, revela que nada mudou desde então e que a situação permanece praticamente a mesma.

Entre as principais irregularidades relatadas, tanto por usuários, quanto por rodoviários que trabalham no consórcio que atende a região, encontram-se linhas de ônibus que foram extintas e a drástica redução do número de ônibus operando nas linhas. De acordo com informações apuradas por nossa reportagem, as linhas 21 (Fonseca-Centro) e 25 (Riodades-Centro) seguem desativadas, tendo sido o trajeto da linha 21 incorporada pela linha 23 (Teixeira de Freitas-Centro), enquanto a linha 25 teve seu trajeto incorporado à linha 22 (Largo do Moura-Centro).

De acordo com passageiros e rodoviários, espera por ônibus pode chegar a uma hora

Segundo relatos de usuários, motoristas e despachantes, todas as linhas que atendem a região: 22 (Largo do Moura-Centro), 23 (Teixeira de Freitas-Centro), 24 (Palmeira-Gragoatá), 26 (Caramujo-Centro) e 580 (Tribobó-Centro), continuam operando apenas com dois veículos, de segunda a sexta-feira, e um único ônibus aos sábados, domingos e feriados. O intervalo entre as viagens, ainda segundo os usuários e rodoviários, de segunda a sexta-feira varia entre 40 minutos a 1 hora (dependendo do período), enquanto aos sábados, domingos e feriados, esse intervalo pode ser de 1 hora a 1 hora e meia. Outro caso curioso é o das linhas 28 e 29 (ambas Largo do Cravinho-Centro), que foram fundidas numa única linha, alternando o trajeto: quando segue do Largo do Cravinho para o Centro faz a rota da linha 29, enquanto no sentido contrário, segue a rota da linha 28.

Nas plataformas do terminal João Goulart, usuários reclamam da situação e pedem uma solução para o problema. O porteiro José Maurício Lanzane, morador do Caramujo, lamenta as condições em que a linha se encontra.

“A situação está péssima! Só tem dois carros na linha, rodando de hora em hora. Vários passageiros, inclusive muitos idosos, aguardando muito tempo na fila. Está insuportável, insuportável mesmo. Estamos sendo obrigados a descer até a pista [se referindo a RJ 104] para pegar uma van ou um ônibus intermunicipal, tendo que pagar duas ‘conduções’ para não chegar atrasado no trabalho, só que minha empresa só paga o equivalente a uma passagem. Estamos nessa situação desde o início da pandemia”, lamenta o porteiro.

De acordo o porteiro José Maurício Lanzane, “A situação está péssima!”

Já o diagramador Sérgio Silva, que trabalha em Tribobó, lamenta a longa espera por ônibus que precisa enfrentar diariamente. “A situação está difícil. Preciso ficar aqui esperando um ônibus em torno de 50 minutos a 1 hora. Há cerca de dois anos passei a conviver com essa situação, que piorou bastante com o início da pandemia. Mesmo com a flexibilização da economia, continua a longa espera por ônibus, todos os dias”, finaliza o diagramador.

Por meio de nota, “a Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade informa que ainda existem diversos pontos de obras de manutenção na cidade que podem provocar impacto e retenções no trânsito, causando espaçamento entre os horários dos ônibus. A SMU ressalta que alguns estudos estão sendo realizados para mitigar os transtornos junto à população.”

Também procurados por nossa reportagem, o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários (Setrerj), até o fechamento desta edição, não respondeu aos nossos questionamentos.

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