Obras do Governo na Região Metropolitana estão paradas

Wellington Serrano

Apesar de o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB) publicar decreto na edição desta segunda-feira (30) do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro determinando a reorganização de segmentos da administração pública que tem o objetivo de racionalizar gastos públicos e aumentar a eficiência da atuação do governo fluminense, os sinais que a crise financeira pela qual o estado do Rio atravessa são cada vez mais evidentes na Região Metropolitana.

Obras consideradas como carro chefe do estado, que inclusive foram usadas durante campanha política como sinal de evolução do estado durante a gestão de Cabral (a qual Pezão prometia dar continuidade) estão paralisadas. Como é o caso da recuperação da RJ-100 e das obras do Hospital da Mãe, em São Gonçalo, do Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios no Entorno da Baía de Guanabara (que segue em ritmo muito lento), implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Alcântara, e das obras na 78ª DP/Fonseca, 73ª DP/Neves, e 77ª DP/Icaraí, entre outras.

A equipe de reportagem de A Tribuna saiu a campo e mostra o estado de sucateamento e abandono das obras do Hospital da Mãe, em São Gonçalo, que foram paralisadas. No local é possível avistar a placa de informações da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), no bairro Columbandê, que informa a previsão de concluir as obras da Maternidade e da Clínica da Mãe. A promessa do estado é de que o local fosse totalmente concluído até o final de 2015, o que claramente não aconteceu.

A crise financeira atingiu também as obras de revitalização da RJ-100, iniciadas em março de 2015, duraram pouco tempo: precisamente até as eleições, em outubro do ano passado, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A obra de reforma e duplicação no trecho conhecido como Estrada Velha de Maricá, que vai do Viaduto de Maria Paula (próximo à RJ-104) até o Rio do Ouro (acesso à RJ-106) é fundamental para a mobilidade dos motoristas de São Gonçalo, Niterói, Itaboraí e Maricá.

Segundo o órgão, a Construlagos, empresa responsável pelas obras, recebeu R$ 2,6 milhões pelo o que já foi executado. O investimento total previsto para a recuperação da via era de R$ 16,7 milhões.

A Secretaria Estadual de Obras (Seobras) confirma a paralisação das obras do Hospital da Mãe, em São Gonçalo, estão paradas por conta da crise financeira do Estado. “Há uma expectativa de que, com a assinatura do acordo de recuperação fiscal, e a consequente entrada de novos recursos, venhamos a dar continuidade, no médio prazo, aos projetos que hoje estão parados”, diz o órgão através de nota.

No caso da implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Alcântara a Secretaria de Estado do Ambiente, através do Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) esclarece que a obra em Alcântara é constituída pela etapa 1 com a construção da Estação de Tratamento de Esgoto de Alcântara e a etapa 2 que é o assentamento de cerca de 92 Km de redes de esgotamento sanitário no Município de São Gonçalo. O órgão do estado informa que a Estação de Tratamento de Alcântara está com 29% de avanço físico e as obras de rede de esgotamento estão com 44 km de redes coletoras assentadas e 5.185 ligações domiciliares concluídas, um avanço físico de 48%.

“Não houve paralisação no final do ano, o que ocorreu nesta época foi a suspensão temporária dos serviços, em virtude de férias coletivas concedidas no período de 21 de dezembro de 2016 ao dia 10 de janeiro de 2017. A partir do dia 11 de janeiro as atividades foram retomadas. Os recursos utilizados são oriundos do empréstimo com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Estado do Rio de Janeiro, que correspondem até o momento a R$ 101.071.460,66 (Cento e um milhões, setenta e um mil, quatrocentos e sessenta reais e sessenta e seis centavos)”, esclarece o Sea/Inea.

O projeto de Recuperação Ambiental da Baía de Guanabara não foi informado pelos órgãos que se limitaram a falar somente do que está sendo feito nas Lagoas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, que tiveram o orçamento em R$ 673 milhões e até o momento tiveram investidos R$ 11 milhões para a execução do projeto executivo de recuperação ambiental.

Sobre as obras nas delegacias da região, procurada, a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, não se pronunciou até o fechamento da edição.

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