Obras de modernização da Rua Paulo Alves serão entregues em novembro

A entrega da obra de ampliação da Rua Doutor Paulo Alves está prevista para novembro, de acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo de Niterói. Iniciada em junho deste ano, a modernização da via faz parte do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Niterói, apresentado em novembro de 2019. Dentre as mudanças a serem entregues estão a inclusão de uma nova faixa no trecho entre as ruas Presidente Pedreira e Casimiro de Abreu, uma faixa exclusiva de ônibus da Praia das Flechas até a Rua Tiradentes, paisagismo tornando subterrânea a fiação de telefonia e uma nova iluminação com LED.

O objetivo do projeto é melhorar a mobilidade no trecho atendendo moradores de Icaraí até Várzea das Moças além de uma requalificação da rua que serve de acesso ao bairro do Ingá. Segundo a prefeitura a obra teve o orçamento de R$ 4,4 milhões. Entusiasta e defensor do projeto na Câmara, o vereador Luiz Carlos Gallo afirma que a ampliação da via é uma solicitação antiga dos moradores.

“Essa obra é um pedido antigo dos moradores. Este projeto é importante, primeiramente por conta da drenagem da água da chuva, porque ali quando chove alaga os comércios e as casas. Em segundo, porque dará mais um rolamento a via permitindo uma fluidez melhor do trânsito resolvendo o gargalo de quem vem da praia, da João Caetano, onde existem duas pistas e depois afunila para uma, e em terceiro está todo o paisagismo com a fiação se tornando subterrânea e as calçadas refeitas semelhante ao que foi feito na Rua Marquês do Paraná. Os moradores do Ingá vão ganhar muito com essa obra”, comemora Gallo.

Disputas judiciais fizeram com que os processos de desapropriação se alongassem, o que acabou atrasando as obras.

“Eu venho lutando por esse projeto desde 2006. A obra demorou por conta de problemas com as desapropriações. Sempre cabe ao morador entrar com recurso judicial caso ele ache que a avaliação não está de acordo com o valor do imóvel. Foram duas casas com desapropriação total e quatro com desapropriação parcial. Houve um lentidão nesses processos judiciais. Então sanado isso, vem agora a segunda fase onde começamos a obra propriamente dita e será um sucesso”, contou o vereador.

Desde a sua concepção, foram acrescentadas melhorias ao planejamento da obra. “Em 2006 eu apresentei uma indicação para que a Prefeitura desapropriasse imóveis na Paulo Alves no sentido de melhorar o rolamento do trânsito com a criação de uma nova faixa e em 2009 eu reiterei o mesmo ofício incluindo a rede de águas pluviais porque quando chove muito e a água fica presa ali entre as ruas Presidente Pedreira e a Pereira Nunes, cria um bolsão”, informou Gallo.

A praça do Ingá, hoje tomada por operários e servindo como um canteiro da obra, também será reformada. “Nós estamos com um canteiro de obras na Praça do Ingá, mas gostaria de dizer aos moradores que a academia da terceira idade foi retirada em função do canteiro, mas assim que a obra for concluída nós vamos fazer a reforma da praça tanto na parte dos aparelhos dos idosos quanto na parte dos brinquedos”, destacou o vereador.

A Rua Doutor Paulo Alves começa na Praia das Flechas e termina na Rua São Sebastião. Motoristas da cidade reclamavam da supressão de uma das faixas na bifurcação com a Rua Presidente Pedreira e dos congestionamentos entre a Rua Presidente Pedreira até a altura da faculdade de Direito da UFF.

As obras concluidas com 50 anos de atraso*

Nos idos dos anos 50 a ampliação da rua São Sebastião, abriu o acesso do centro às Praias das Flechas e de Icaraí, ensejando ao antigo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários construir os dois “espigões” batizados como “Edificio dos Bancários”. Face à elevação, os bondes não podiam usá-la e faziam um longo percurso, indo até a rua Passos da Pátria, para completar o necessário acesso ao centro.
Morador na rua Paulo Alves, 135, o redator da coluna “Cidade Aflita”, no jornal de maior circulação no Estado, a “Ultima Hora-fluminense”, foi ao 25º andar do Edificio dos Bancários, com o fotógrafo Mauricio Lage. Com a bela foto P&B, tracejou à guache, o roteiro necessário como solução urbana. Com a aceitação pública, obteve a decisão do Prefeito Sylvio Picanço para desmontar o promontório e desapropriar a Igreja Presbiteriana (mais tarde frequentada por Geremias Fontes, ex-governador do estado). Ao mesmo tempo o governador Badger Silveira materializou o sonho de abrir a Avenida que veio a receber o seu nome, inaugurada em 1964. Tornou-se a continuidade da obra do seu irmão, Roberto, que reconstruiu a rua Paulo Alves, dentro do Plano de Ajuda a Niterói.
No curso da obra, as explosões afetaram prédios próximos ao Cine Imperial, inclusive o 561 da rua Visconde do Rio Branco, onde uma parede desabou sobre a impressora plana do jornal “A Tribuna”, então dirigida por Antônio Soares da Silva e Edésio da Cruz Nunes.
O deslanchar da obra foi acompanhado pelo Prefeito Silvio Picanço, pelo diretor do Jornal Última Hora-Fluminense, Marcos Wainer e pelo editor da coluna “Cidade Aflita”.
Mas a visão jornalística sobre o futuro da cidade e o surgimento da indústria automobilística, motivada pela ação do economista Sidney Latini, morador na Estrada Fróes, indicavam a continuidade da campanha pela mobilidade urbana. Desde aquela época “A Tribuna” defendeu a duplicação da rua Dr. Paulo Alves – nome do primeiro prefeito de Niterói – e de outras soluções.
Quando Secretária de Obras de Godofredo Pinto, a engenheira Dayse Monassa, conseguiu fazer o alargamento do trecho entre a esquina do corredor Fagundes Varela-Tiradentes, até a rua Casemiro de Abreu.
Reforçando a campanha, o vereador Luiz Carlos Gallo, apresentou duas indicações neste sentido e “A Tribuna” publicou várias matérias destacando a importância da obra.
Como fez com o Túnel Luis Antonio Pimentel e João Sampaio e com o alargamento da rua Marquês do Paraná, o prefeito Rodrigo está realizando o terceiro sonho alimentado pela população há mais de meio século. . *JOURDAN AMÓRA

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