Obra na Lagoa de Piratininga pode ser custeada pela Prefeitura

Raquel Morais –

No início deste ano o túnel que liga a Praia de Piratininga e a lagoa, na área conhecida como Tibau, desmoronou e os sedimentos impedem parte da renovação da água. A obra foi de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) que, desde então, não executou os reparos. Para resolver o problema e devolver todo o potencial da lagoa, que é campo de trabalho de cerca de 70 pescadores, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, se solidarizou com a causa e anunciou que se o Inea não custear e executar as intervenções, a Prefeitura de Niterói vai assumir as obras.

O anúncio foi feito na cerimônia de assinatura da ordem de início das obras do Canto da Praia de Itaipu, no último sábado, também na Região Oceânica. O Administrador Regional da Região Oceânica, Carlos Boechat, esteve na solenidade e comentou o interesse do prefeito em resolver questões para melhorar a cidade. Ele explicou que a obra desse túnel foi feita pelo Inea e entregue em 2008 e que no início desse ano os sedimentos caíram, bloqueando a entrada da água do mar na lagoa.

“Precisamos que essa lagoa volte a funcionar, pois não está tendo renovação da água e só está entrando água pelo lado de Itaipu, e infelizmente não é suficiente”, comentou.

A falta de renovação da água compromete o ecossistema, prejudica a reprodução dos peixes e, consequentemente, a pesca. Cerca de 70 famílias vivem da pesca nessa localidade e a qualidade da água é fundamental para essa prática.

“Hoje o pescador artesanal pode ser uma ‘espécie ameaçada de extinção’, pois o número desses trabalhadores está reduzindo. A estrutura vai se deteriorando ao longo dos anos e isso vai se arrastando. Essa obra será de extrema importância para a região. As lagoas precisam de renovação da água”, sintetizou o gestor ambiental Sérgio Ricardo de Lima.

Mesmo com esse problema, os pescadores locais percebem uma melhora na pesca. No último domingo, o pescador Rafael Pimenta, de 41 anos, retirou da lagoa de 40 quilos de tilápia, e na manhã de ontem, conseguiu cerca de quatro quilos do pescado.

“Já vendi tudo e fico muito animado em ver que a lagoa está dando peixe. Já passamos por uma época muito triste de não ter nenhum peixe. A água que entra de Itaipu permite que o ecossistema melhore um pouco, mas vai ficar muito melhor depois da obra”, contou.

Moradora do Tibau há 39 anos, Silvina Santos, de 75 anos, está animada para o início da obra.

“Eu não vejo a hora de ver essa obra pronta. Fiquei muito feliz em saber que isso será executado e na verdade é um bem para a cidade”, resumiu.

Boechat explicou que, antes da execução, precisará ser feito um estudo para a obra.

“Temos alternativas e propostas, mas ainda não definimos. Terá que raspar e derrubar todos os sedimentos que ainda podem cair. Depois terão que retirar esses entulhos para aí sim fazer uma nova construção. Isso tem que ser muito bem feito para não dar nenhum problema posterior. Mas vamos torcer para que os representantes do Inea assumam essa responsabilidade, que é deles”, finalizou.

O Inea ressaltou apenas que há um convênio com a Prefeitura de Niterói para que a administração municipal realize a manutenção dos corpos hídricos que estão integralmente na cidade. O órgão ambiental estadual vistoriou a Lagoa de Piratininga, juntamente com técnicos da prefeitura, e entregou projetos ao município com traçado do túnel, conforme solicitado.

PRÓXIMOS PASSOS

A Prefeitura de Niterói informou que, por se tratar de uma gestão compartilhada desde 2013, está agendando uma reunião com o Inea para definir as responsabilidades sobre a solução para a desobstrução do túnel do Tibau. O desmoronamento recente foi analisado por técnicos da prefeitura e especialistas externos. Foi constatado que o acidente foi causado por falha de execução da obra. O município contratou estudos ambientais que verificam os parâmetros físico-químicos do sistema lagunar da Região Oceânica, inclusive na saída do túnel do Tibau, com o objetivo de checar, principalmente, a concentração de oxigênio dissolvido. Também estão sendo realizados testes com algumas técnicas alternativas para redução da quantidade de lodo acumulado na lagoa.

ITAIPU
No último sábado o prefeito esteve em Itaipu para assinatura do início das ‘obras do Canto’. O local passará por uma repaginação urbanística no acesso à praia, com reordenamento do estacionamento e adequação de acessibilidade. O projeto, que será desenvolvido pela Emusa em parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento e Modernização da Gestão (Seplag) e a Cooperação Andina de Fomento (CAF), terá investimento de R$ 2 milhões. As obras terão início esta semana e a previsão é que sejam concluídas em cinco meses. O projeto contempla uma área de 6.186 m² com a implantação de praça de eventos em frente ao Museu Arqueológico de Itaipu, espaços de estar, deck e rampa de acessibilidade, passeio público e edifícios de apoio à atividade pesqueira com centro de beneficiamento.

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