Objetos históricos são encontrados no Parque da Cidade

Raquel Morais

O grupo de voluntários do Parque Municipal de Niterói (Parnit) que está fazendo a retirada de resíduos das ruínas da Trilha Colonial, parte do Circuito Temiminó, se surpreendeu com um achado: uma ferradura totalmente enferrujada. Esse objeto vai se juntar com mais materiais históricos achados em outros territórios de Niterói para a formação de um acervo. Itens como cacos de louças, telhas e outros objetos de ferro e de selaria, estão guardados com o administrador do Parnit, Alex Figueiredo.

A ideia do gestor é ou mandar o material para o Museu de Itaipu, na Região Oceânica, ou para o Ecomuseu, que vai fazer parte do Parque Orla Piratininga (POP).

“Está tudo guardado até a gente definir o que vamos fazer. De tempos em tempos em toda a cidade de Niterói se acha alguma coisa, pois a cidade tem ocupação que remota ao período pré-cabralina. São fragmentos de telhas feitas nas coxas da época do Império e achados de metal em ruínas no parque como a Atalaia, na sede do parque e a ruína dos Bosques dos Eucaliptos. A ferradura em questão deve ser na época do Haras que teve uma boa circulação de pessoas e cavalos na década de 80”, conta Alex Fiqueiredo.

O gestor de investimentos Bruno Padilha, 38 anos, também já achou uma colher enterrada durante uma ação de limpeza da trilha Waimea, que é exclusiva para mountain bike.

“Essa colher é de prata e muito antiga. Encontrei fazendo um manejo na trilha. Fiquei surpreso e contente em ajudar nas descobertas arqueológicas do Parnit. Devem ter muitos materiais ainda, já que a área, na época dos escravos, era uma grande fazenda de café e cana de açúcar”, contou.

A escavação da Trilha Colonial está sendo feita em uma ponte de pedra possivelmente datada na época da escravidão. A ideia é restaurar todo o acesso e homenagear, através de uma placa, essas pessoas que fizeram a ponte.

“Existe uma chance enorme que essa ponte seja realmente datada do período da escravidão pelo estilo arquitetônico, feito de pedra de mão colado com óleo de baleia. Temos ruínas anteriores, antes da ponte de pedra tem uma ruína com estilo do Brasil Colônia, no século XVI”, explica Alex.

AÇÃO VOLUNTÁRIA

A ação voluntária no Parnit é um projeto antigo em que pessoas são convocados três vezes por semana para realizarem manejo de trilha, manutenção, reflorestamento e reprodução de flores, por exemplo. São separadas mudas para plantio como bromélias, maracujá nativo, palmito juçara, ora-pro-nóbis e pau-brasil, entre outras. Essas pessoas são diretamente responsáveis pela organização e conservação do parque. Atualmente são 200 cadastrados mas as ações estão restritas por conta da pandemia do coronavírus.

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