O que será do casarão?

Raquel Morais –

Na semana em que o incêndio do casarão histórico do antigo Colégio Brasil, localizado dentro do condomínio Solar do Barão, no Fonseca, completa um mês, o destino das ruínas continua indefinido. A administração do condomínio busca uma solução para o imóvel, que continua se deteriorando, oferecendo perigo de desabamento e sendo foco de roedores e mosquitos, por exemplo. A discrepância nas opiniões sobre o futuro do prédio histórico sobrepõe a atitude, o que gera o impasse: derrubar e construir uma praça ou um estacionamento, tombar historicamente ou deixar o condomínio assumir a limpeza.

O incêndio aconteceu no último dia 8 de junho e, na época, a Prefeitura de Niterói informou que o processo de tombamento do casarão estaria em fase de conclusão. Ontem a Secretaria Municipal de Cultura manteve a informação, acrescentando que representantes do Departamento de Patrimônio da pasta vão fazer uma visita ao local na próxima semana. No entanto, ressaltou que “como o imóvel é particular, cabe aos proprietários a manutenção e preservação. Quando estiver tombado, caberá à prefeitura o monitoramento para que o casarão seja preservado e que qualquer intervenção que venha a ser feita não modifique suas características originais”.

A síndica do condomínio, Elizabeth Oliveira, de 52 anos, está em posse do documento de interdição da Defesa Civil Municipal e aguarda o laudo da Defesa Civil Estadual. “Queremos dar um jeito nessa situação: ou assumimos a responsabilidade ou a prefeitura a faz ou derruba tudo e acaba com isso. O que não pode é termos um espaço que oferece risco e não podermos fazer nada”, comentou.

A vendedora Celi Abreu, de 51 anos, é a favor da demolição por completo das ruínas. “Do jeito que está não pode continuar e, sinceramente, prefiro que destruam tudo de uma vez só”, comentou.

Uma moradora que preferiu não se identificar disse que há boatos no condomínio de que o incêndio teria sido criminoso. “Eles querem construir um estacionamento no espaço do casarão. Acho um absurdo perdemos parte dessa história para guardar carros”, pontuou. A Polícia Civil foi questionada sobre as investigações, mas até o fechamento dessa edição não se manifestou.

O vereador Leonardo Giordano (PCdoB) discute essa questão através da Comissão de Cultura, Comunicação e Patrimônio Histórico da Câmara e, no dia seguinte do acidente, em 9 de junho, mandou três documentos: um para a polícia civil, outro para a Defesa Civil Municipal e outro para a Prefeitura de Niterói. “Esse último foi pedindo linhas de financiamento para estruturação da obra e com possibilidade de conseguir dinheiro federal, por exemplo. Tudo para conseguirmos abrir o centro de cultura no espaço, conforme a família deseja”, apontou.

O incêndio aconteceu por volta das 5 horas da manhã e tem várias linhas de investigação, desde a criminal até um balão que teria caído nas ruínas. O espaço foi construído pela Família Brasil, onde até mesmo o cantor Roberto Carlos estudou. Ao todo o condomínio tem quatro blocos, 352 apartamentos e cerca de 1.100 moradores.

One thought on “O que será do casarão?

  • 10 de julho de 2017 em 06:35
    Permalink

    Pena nao restaurar esse casarao historico do antigo colegio Brasil e manter viva um pouco da cultura do bairro Fonseca que hj vive da cultura da marginalidade. Ja perdeu o Zoologico e agora vai perder o antigo colegio que, alias, pra quem nao sabe, o cantor Roberto Carlos foi aluno deste colegio quanto morou com uma tia no Fonseca e tentando a vida de cantor na Radio Nacional.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 − onze =