O que quer o eleitor de Niterói do prefeito que irá eleger em 2020

Luiz Antonio Mello –

Niterói irá eleger um novo prefeito no dia 4 de outubro deste 2020, que tem tudo para ser um ano mais surpreendente e atípico (como aquelas sinistras transações financeiras da trupe de Fabrício Queiroz) do que os seus 2019 colegas. Por que? Porque estamos diante de um novo Brasil, uma nova e aguerrida gente, eleitores impacientes e implacáveis e políticos…bem, políticos velhos que, como se diz em Varre-e-sai, vão gemer no bico da ema para conseguir arrancar um voto.

Como cantou Wilson Simonal, “nem vem que não tem/nem vem de garfo que hoje é dia de sopa”, sem aquela escorregadia cantada de cafetão teórico sobre o papel filosófico, conceitual e contextualizado do prefeito. O eleitor, vulgo povo, quer eleger um síndico para governar a cidade e 21 vereadores que façam decentemente o seu trabalho que, em tese, é de fiscalizar a prefeitura.

Aliás, a Câmara dos Vereadores trará mudanças importantes. De acordo com o repórter Wellington Serrano, desta A Tribuna, em 3 de setembro, os vereadores vão dar duas facadas certeiras em prol deles mesmos em 2020. Aumento do número de parlamentares dos atuais 21 para 25, bem como o reajuste de 50,5% no atual salário de R$ 12.616 para R$18.991, por mês. Nas vésperas do último carnaval os parlamentares fizeram um auto aumento salarial, mas diante do escândalo generalizado, abortaram, digo, adiaram a missão.

O viés ideológico tem peso zero quando o eleitor digita o seu voto para prefeito na urna. Ele exige honestidade comprovada por nada consta do candidato, mais propostas concretas para a saúde, educação, mobilidade, cultura etc. Como se sabe, a questão ambiental ganhou protagonismo nacional e o eleitor também vai exigir que os candidatos digam, mostrem, provem o que vão fazer para melhorar a situação em Niterói.

Esquerda, direita, centro, outro zero a esquerda. O eleitor municipal ignora enquadramento partidário e sabe que um prefeito nada pode fazer para mudar a Constituição ou interferir em outros temas nacionais como acabar com o voto obrigatório, aumentar o salário mínimo, manter a inflação baixa.

As invencionices dos novidadeiros também são desprezadas pelo eleitor, que dispensa promessa de construção de pista de pouso para disco voador, por exemplo, e muito menos patinete movido a vento. O eleitor vai cobrar saúde decente, educação decente, ônibus barato e decente; que sejam construídas mais ciclovias/ciclofaixas já que as bicicletas são o veículo ideal para uma cidade com a característica de Niterói. Roda de graça, não polui, faz bem a saúde, manutenção de custo zero, ou seja, vão exigir dos candidatos compromissos sérios em relação ao tema.

Como está no final de seu segundo mandato, o atual prefeito não poderá concorrer a reeleição, mas vai indicar um nome. Vários outros políticos já se declaram no páreo e parece que haverá uma intensa disputa. Há quem espere uma polarização acirrada entre extrema esquerda e extrema direita, mas tradicionalmente o eleitor de Niterói está mais atento a propostas concretas e não a ideologias.

Muitos pré-candidatos já declararam que pretendem manter, por exemplo, o programa Niterói Presente, um convênio do governo do estado com a prefeitura que baixou consideravelmente a criminalidade. Até o momento, só um partido, que terá candidato, se mostra contrário ao programa.

Além de exigir o nada consta moral, o eleitor aprendeu a ficar atento as coligações partidárias, aqueles serpentários gigantes, sarapatel de letras que são muito mais sérias do que um mero abecedário. Cada partido daquele cipoal vai exigir em troca um bom naco do governo caso a chapa vença. Em geral secretarias, empregos diversos e algumas outras “benesses”, entre aspas. Quando o eleitor vê “Fulano de Tal candidato da Coligação Abajur Lilás – MMR, TTGO, HN5, BDGO, VVNBP, PGRTT, LKKL, ZIIUTT” -, sabe que, em caso de vitória, todos os partidos vão voar na jugular do eleito exigindo cargos. Isso é fato.

Ou não?

P.S. – Caro leitor, por favor responda se esta cena fictícia é educativa ou não.

Supondo que Alarido seja um mega traficante, o garoto de 6 anos pergunta a mãe: “mamãe, cadê o Alarido?”. A mãe responde “o Alarido foi preso, meu filho”. “E o Juca Rojão?”, “filho, morreu num tiroteio durante um assalto”. E o Perereca?”, “está sumido há duas semanas, estava em um carro roubado”. “Tá”.

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