O poder da oração e da espiritualidade na pandemia do coronavírus

Raquel Morais

De que forma a espiritualidade fica abalada quando o emocional está prejudicado? Esse foi o questionamento de muitas pessoas que tiveram dificuldade para lidar com sentimentos e sensações novas, principalmente no início da pandemia do coronavírus. Como lidar com medo, insegurança e isolamento? Especialistas em espiritualidade da Universidade Federal Fluminense (UFF) apontam como essa ferramenta, junto ou não com a oração, podem ajudar a encarar os problemas e doenças.

A Universidade Federal Fluminense (UFF) tem uma disciplina que explica justamente o poder da oração e da espiritualidade no tratamento de doenças. A matéria é Medicina e Espiritualidade, que é facultativa, e pode ser ministrada nos cursos de Medicina, Psicologia, Ciências Ambientais, Enfermagem, Biomedicina, Serviço Social e Segurança Ambiental. O coordenador da disciplina, José Genilson Ribeiro, explica essa relação.

“A disciplina é uma ferramenta que utiliza a espiritualidade, o sentimento ao sagrado, o fazer com que nos casos das doenças as pessoas possam desenvolver o enfrentamento ou a ressignificação do processo do adoecimento. Isso é facilmente aplicado na pandemia do coronavírus. Uma doença que atinge todo mundo e nivelou as pessoas e precisamos ser solidários com as outras pessoas”, frisou o vice-diretor da Faculdade de Medicina da UFF.

Rita Miranda, Mestre em Ciência do Cuidado e Espiritualidade pela Universidade Federal Fluminense (UFF) explicou que existem estudos da Universidade de Oxford que confirmam que a oração pode influenciar a capacidade orgânica de enfrentamento as diversas patologias através da fé.

“Quando a pessoa ora, canta ou dança por 20 minutos diários músicas espirituais, é fortalecido o lobo frontal, parte do cérebro que ativa o sistema imunológico. A oração é vida com Deus e precisamos disso. A oração pode trazer transformações tremendas nestes ambientes, trazendo paz. No tempo de pandemia o que eu mais estou fazendo é atender pessoas com transtornos mentais, com dificuldade de atenção e de dificuldades relacionais. A violência tem sido uma realidade aumentada dia a dia, o que faz necessário um suporte psicológico ou um acolhimento as necessidades familiares. Mas a oração pode transformar essas coisas. Nos últimos tempos, a psicologia tem se voltado ao estudo da espiritualidade/religiosidade e sua relação com a saúde mental, o bem estar psicológico e a integração bio-psico-socio-espiritual do ser humano”, frisou a também doutora em Ciência da Educação.

Para minimizar esse impacto negativo de sentimentos que a pandemia provoca, o planejamento do dia foi a forma que a professora Luana Ramos, 34 anos, conseguiu se energizar e se equilibrar enquanto ser humano e enquanto família. E a forma foi a mais simples possível: um banho de mar.

“Penso na espiritualidade independente da questão religiosa. A espiritualidade transcende o ser e penso muitas vezes que quando a pessoa está emocionalmente abalada a vivência do momento presente é tomado. Nesse momento de pandemia acho que algumas pessoas tiveram a oportunidade, num primeiro momento, de ter esse encontro com o tempo. Quando a pandemia chegou nós estávamos vivendo a chegada da Malu, que estava somente com dois meses. Ficamos absolutos em casa”, contou.

Luana e sua família, o marido Felipe e as filhas Maya e Malu, ficaram em isolamento social severo por quatro longos meses.

“Eu tive um momento de precisar tomar um mergulho. Me senti mal por estar indo na rua em plena pandemia. Me arrependi e fiquei no carro com minha bebê enquanto via a minha filha e o marido tomarem o tão sonhado banho de mar. Quando a Maya chegou no carro, molhadinha de água do mar, ela me deu a força que eu precisava e me chamou para esse momento. A praia é o meu refúgio e entrei no mar como estava, e ali eu consegui carregar a bateria e ter forças para continuar vivendo o momento da pandemia”, exemplificou.

Henrique Moraes, instrutor de Yoga Integrado, é praticante há 30 anos e explicou que para ele a prática foi considerada uma válvula de escape.

“A pandemia tem potencializado o número de pessoas ansiosas e deprimidas. E são vários os motivos para este aumento. A perda de familiares ou amigos é o pior deles, mas há ainda o medo de contrair a doença, o isolamento social, a mudança radical de hábitos, entre outros muitos que fazem crescer uma região de deprimidos e ansiosos”, finalizou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 + quinze =