O Estado do Rio virou uma nova Medelín

Luiz Antonio Mello

A foto poderia se chamar “no ziriguidum fluminense tudo acaba em carnaval”.

Achava um colega de faculdade catastrofista. Lá na casa do cacete de 1979, no ponto de ônibus do 401 (Rio Comprido – São Salvador) ele dizia que em pouco tempo a Região Metropolitana do Rio iria se transformar numa enorme favela e que o primeiro passo nessa direção seriam as pencas de novas cidades criadas a rodo, chamadas de “emancipações”.

Meu colega não era catastrofista. Era visionário. Pena que perdi o contato para me desculpar por tê-lo chamado de pessimista, baixo astral, empaca vaca e tudo mais. Na época, o Estado do Rio tinha 63 municípios, hoje são 92, entre eles Aperibé, Carapebus, Cardoso Moreira, Comendador Levy Gasparian, Porto Real. Por que? Corrupção.

A partir dos anos 1980 muitos “distritos” decidiram comprar a sua emancipação alegando que seria melhor para todo mundo, mas sabíamos que a razão era única: ladroagem ampla, geral e irrestrita.

Cada cidade gastou (e gasta cada vez mais) com prefeito eleito, Câmara de Vereadores, secretarias, fundações, autarquias, custeio, pessoal, vai a falência, pega o pires no armário e sai fazendo vaquinha. Nesse bolero o Estado do Rio conquistou o padrão de excelência em roubalheira, má fé, estelionato eleitoral, bandidagem, tráfico de influência e de drogas e hoje é visto como exemplo nacional de ruína. Financeira, ética, mortal, política.

Há um tempo, a amiga facebookiana Bete Babo postou hoje uma bela bucólica foto de Nova Friburgo, cidade que sempre me acolheu muito bem quando por lá passei temporadas. Mandei uma mensagem cumprimentando a foto cidade eela informou que a especulação imobiliária tinha devorado tudo o que está na foto. Só restaram as montanhas que, em breve, vão se tornar comunidades.

Claro que a culpa não é somente das sempre gananciosas empreiteiras que corrompem o poder público e, se der, constroem cabeça de porco até na cabeça do Cristo Redentor. Botam a estátuaabaixo e mandam ver, tranquilamente. Para isso, na outra ponta, tem que estar os vendilhões que representam os municípios.

Não por acaso o Estado do Rio exibe nacionalmente uma galeria de governadores podres, sendo cinco presidiários ou ex- detentos respondendo em liberdade, o sexto está esperando a sentença fumando charutos de pijama. Que estado pode dar certo diante de uma galeria dessas?

Há, ainda, as cidades. Muitos prefeitos do RJ já foram em cana, outros estão a beira de ir para a jaula, alguns deverão voltar, em suma, o RJ está numa era de pústulas no poder de dar inveja a Medellín no auge do reinado de Pablo Escobar.

Pior do que os governadores, prefeitos, muitos vereadores, deputados e senadores fluminenses está o eleitorado que colocou esses déspotas no poder. Os políticos podem ser sicários, mas em nenhum momento deram golpe de estado, tomaram o poder a bala. Eles entraram nos palácios pela porta da frente, ao som de clarins, eleitos, comendo canapés, bebericando proseco, escolhidos pelo eleitorado mais torpe e corrupto da história fluminense, que troca seu voto por qualquer bala Juquinha.

Sobrevoar a Região Metropolitana do Rio é angustiante. Da janela dos aviões (que estão se mandando daqui para operar na civilização, São Paulo) vemos o caos, a gigantesca deformidade urbana descontrolada, em qualquer região. Toda vez que estou a bordo fico apavorado, medo que uma vítima da sociedade dê um tiro de ponto.50 ( https://tinyurl.com/y3hblfc9) na asa e a aeronave desabe em plena cidade. Mansões, favelas, motéis, tudo enfiado numa disforme e doente massa demográfica incentivada por maus políticos, traficantes, milicianos, maus religiosos que querem mais famintos, mais doentes, mais degenerados para vender suas promessas, comprar votos e poder.

Os piores políticos da nação foram maciçamente votados pelo Estado do Rio. Gente parindo pelas ruas, cheirando crack, “tia é melhor me dar uma grana, hein”, governos construindo escolas e hospitais superfaturados sem parar, roubando loucamente para fazer com que o Estado consiga atender a todos. Não atende porque a população não para de inchar e a polícia não para de crescer, os tiroteios, as balas perdidas.

Do outro lado, mais políticos pusilânimes vitimizando os sicários tratados como vítimas da sociedade que eles mesmos, políticos, lambem com a sua sórdida hipocrisia. Um dia desses, num bar, eu disse que a única coisa que prestava na China era a Lei do filho único (https://tinyurl.com/yxqwlvrf ). Quase apanhei, mas me deram razão. Não entendi.

O clã dos Maluco (Elias Maluco& sua barrigada) é um exemplo do que não deveria ter nascido, a começar por ele. A filha, empreendedora carioca, foi presa em flagrante dentro de seu laboratório que fabrica Skank (super droga). O filho, conhecido como Maluquinho, chefão no narco estaria refugiado ou morto. Não sei se Elias Maluco fez mais filhos, mas atrás de filhos vem netos, também vítimas da sociedade e assim avançam gerações de bandidos que, com certeza, estão sendo paridos neste momento, enquanto você lê este bilhete.

Nesse Estado, torpe por natureza, a expressão “controle da natalidade” provoca calafrios de pânico na esquerda, direita, centro, igrejas, bocas de fumo…

Você foge para Friburgo. Mesma coisa. Teresópolis, Petrópolis, Angra dos Reis (em guerra), Região dos Lagos…Em 40 anos dizimaram o Estado do Rio que estava dando certo até Geisel promover aquela curra chamada fusão com a Guanabara e explodir tudo.

Olhe para a sua cidade. É normal o que você vê? É razoável? É aceitável? Olhe para o seu carnê de IPTU e pense no que a prefeitura de sua cidade te dá em troca. Olhe para a conta de luz, para o IPVA do carro, da moto, olhe para a sua declaração do Imposto de Renda e pense no Congresso, no STF, na Esplanada dos Ministérios que mamam essa nossa grana suada. Pense em Renanzinho Bolsonaro, o caçulinha, que tem festinha bancada por empresa que leva grana do governo bem no estilo das barrigadas de Lula.

Você sentirá inveja de Medellín.

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