O duelo entre o horror e a santidade na televisão

O duelo entre o horror e a santidade na televisão

Salvo os programas “Ave Maria”, apresentado às 18 horas por Júlio Louzada, e outro produzido por Alziro Zarur, da Legião da Boa Vontade, na transição da importância de comunicação entre as ondas curtas ou longas das dominantes emissoras de rádio, e o “preto e branco” da nascente televisão favorecida pela imagem, o religioso povo brasileiro não se alimentava espiritualmente através destes meios de comunicação, preferindo as colunas religiosas dos jornais impressos e os mais devotados, a livros como a Bíblia.

Antes mesmo da pandemia o quadro começou a se alterar, a começar por programas dirigidos por evangélicos. Uma denominação evangélica conta até com um canal próprio, mesmo dispondo de grandes templos nos grandes centros urbanos. Houve um avanço censitário do segmento, reduzindo-se o percentual de católicos com o surgimento de religiões e novas denominações de evangélicos.

Um fenômeno vem ocorrendo nas duas últimas duas décadas: a expansão física da Igreja Católica não é significativa, mas cresceu grandemente a devoção através dos meios televisivos. A TV católica hoje conta com nove geradoras e centenas de emissoras retransmissoras pelo Brasil afora. As geradores – que contam com outros recursos de comunicação – são nove: Aparecida, Pai Eterno, Canção Nova, Evangelizar, Nazaré, Horizonte, Rede Viva e Rede Século 21.

Amor e ódio

A TV Aparecida e a Canção Nova, paulistas, chegaram a despontar em terceiro e no quarto lugares nos “picos de audiência”, em algumas celebrações no curso da pandemia, mesmo no período com celebrações reunindo fisicamente os fiéis.

No caso da TV Aparecida, a sua programação variada, gerou para si o hábito até então reservado às chamadas “grandes emissoras”, cujo elevado número de telespectadores deixam os aparelhos sintonizados dia e noite num mesmo canal.

Mas o público está descobrindo a opção de silenciar os tiros, os gritos, os barulhos das tragédias e o culto às desavenças, cansado da exploração do horror, do desamor, e da falta de identidade cultural com as apresentações importadas dos confins da maldade.

Agora se conhece melhor porque o Papa Pio XI, exaltando o surgimento da televisão, alertou para os riscos da sua má utilização, com a perda dos caminhos educativos e de sadio lazer.

É melhor fica ouvindo músicas sacras, mensagens de fé, o cancioneiro popular brasileiro, as celebrações religiosas e a valorização da vida.

O português está morrendo

Pouca gente ilustre pode se orgulhar de dominar o português. Muitos são preocupados em dominar o nosso futuro idioma, o inglês-americano.

Estamos sendo bem treinados para o futuro próximo: a televisão mantém programas denominados “Big Brother Brasil” ou “The Voice Brasil” e entrevistadores demonstrando sua cultura universal, formulando perguntas a alguns entrevistados na língua inglesa. Os jornais deixam dúvidas nos leitores encimando títulos com palavras estrangeiras não pouco comuns, obrigando a quem tem acesso à Internet, recorrer ao dicionário para entender os textos.

Os nossos produtores culturais obtiveram sucesso exportando o “Rock in Rio”, no “grid” de largada, onde a rica cultura popular nacional terá uma lápide.

O meio empresarial oficializou o “Friday Day”, o “Sale”, o “Rent” e batizará o segundo domingo de maio como “Mother Days”, aguardando o momento para estampar as notas de real com o “God Save Bolsonaro”.

O latim já foi para as cucuias. Até os filhotes franceses e italianos estão indo para o espaço, com o também o seu derivado português. Nem mesmo o Vaticano celebra missas em latim, como era costume por aqui.

O preço da televisão

Com o baixo consumo, o mercado publicitário está em queda, especialmente na televisão acostumada a gastos elevadíssimos com âncoras e produções caras.

Tudo é fruto de um minúsculo vírus que está derrubando estrelas.

Está difícil manter o festival de “comerciais” em intervalos de programas.

No horário nobre, a escassez de anunciantes impõe mais tempo de notícias. E mais espaço para artistas musicais novos de baixo custo.

Passou o tempo em que o direito a uma inserção de apenas 30 segundos de um jingle era disputado pelos grandes anunciantes dispostos ao desembolso de R$ 800 mil, somente pela rápida transmissão da mensagem comercial televisiva..

O “custo de televisão” é variável, considerando a emissora, o horário e o tipo de programa. Mas poderia chegar, nos tempos passados, ao mínimo de R$ 30 mil para os de menor audiência.

Abundância

Mas muita coisa ainda pode mudar nestes tempos de valorização “online”.

O excesso de “cookies” enerva por atrapalhar a leitura de textos. Além desta jogada ainda existem os anúncios comerciais tradicionais.

As edições “online” dos jornais impressos pouco usam – mas usam – “cookies”. Elas ampliaram o valor das notícias oriundas da responsabilidade dos jornais impressos e, com a facilidade de transmissão de imagens, estão tirando o fôlego das emissoras de TV aberta ou por assinatura.

A chamada imprensa alternativa (“Pasquim”, “Opinião etc) praticamente desapareceu, cedendo lugar às poucas palavras e muitas cópias nas redes sociais.

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