O drama do frio nas ruas

Anderson Carvalho –

Se durante os dias normais a situação de quem vive nas ruas de Niterói é dramática, seja pela falta de um teto, uma cama, comida e segurança, nestes dias frios piora ainda mais. Nem todos contam com um bom cobertor ou agasalho e dependem da caridade alheia. Moradores em situação de rua perambulam pelo Centro e Zona Sul, principalmente, fugindo do frio. A prefeitura, através da Secretaria Municipal de Assistência Social de Direitos Humanos, tem equipes de abordagem que atuam diariamente em áreas com maior concentração de rua, como Icaraí, São Domingos, Boa Viagem e a região central, além de pontos específicos.

Quem anda pela Avenida Ernani do Amaral Peixoto, na Rua da Conceição e na Praça JK, no Centro, além da Cantareira, em São Domingos, em qualquer hora do dia ou da noite se depara com moradores em situação de rua se protegendo do frio como podem. O pescador Celso Correa, o Rosinha da Cantareira, de 45 anos, na falta de cobertor, se aquece bebendo cachaça e com os cachorros de rua da Praça do Clube de Regatas Gragoatá, onde vive há 17 anos. “Vim de Belo Horizonte e não tenho dinheiro para voltar. Para me aquecer, só a cachaça e a minha cadela, a Priscila”, relatou Celso. O carpinteiro André Barbosa, 44, vive desde garoto na região. “Eu vim de Saquarema ainda criança. De vez em quando a gente recebe doação de cobertores. Mas, eles não duram muito. Também bebo cachaça e me achego com alguns cães para me aquecer”, contou André.

A prefeitura informou que não existe um levantamento da quantidade de pessoas nesta situação na cidade, já que este número varia muito e a maioria possui casa. As equipes de educadores sociais da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos realizam, em média, 500 abordagens mensais, nas quais buscam sensibilizar essas pessoas para irem para o Centro Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), onde são encaminhadas para centros de acolhimento.

No entanto, de acordo com a legislação brasileira, a ida e a permanência no abrigo não são obrigatórias. O trabalho de abordagem é realizado em dias frios e quentes da mesma maneira. A Secretaria garante que não há insuficiência de vagas nos abrigos do município. Cerca de 70% das pessoas abordadas não são de Niterói e muitas destas aceitam voltar para seus municípios de origem. O município possui cinco locais totalmente equipados para atender e receber a população em situação de rua ou em sociovulnerabilidade. Ao todo são 170 vagas.

Nos centros de acolhimento, as pessoas recebem atendimento de assistentes sociais, psicólogos e orientação jurídica, além de atendimento médico, se necessário. Tem ainda a possibilidade de obter a segunda via de documentos, arrumar um emprego, retomar os estudos, voltar para a família e viver de forma digna.

Grupos religiosos, em sua maioria evangélicos, distribuem sopas a pessoas em situação de rua no Centro, à noite. Alguns dão agasalhos e cobertores.

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