Nunes Marques pede vista e adia julgamento de suspeição de Sergio Moro

Marcelo Almeida

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Marques, pediu vistas ao julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e adiou a conclusão do julgamento iniciado na terça-feira (9) pela Segunda Turma do STF que analisava se o magistrado agiu ou não com parcialidade ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos casos oriundos das investigações da Operação Lava Jato.

Na prática, com o pedido de vista, Marques informa que precisa de mais tempo para analisar processo e, com isso, a conclusão do julgamento ficou para outra sessão.

“Eu não diria que necessito de um melhor olhar. Na realidade, eu estava atento aos outros processos da pauta. Não poderia, mas até que tentei rapidamente, mas o tempo foi extremamente curto para um membro da corte que jamais participou do processo e que não tinha absolutamente nenhum conhecimento sobre ele”, afirmou durante sua fala.

A decisão de Nunes Marques se deve ao fato de que o processo esteva em pauta em 2018, quando Gilmar Mendes pediu vistas ao processo e ele foi retirado de pauta. Marques, se tornou ministro apenas em 2020, por uma indicação do presidente Jair Bolsonaro, e realmente nunca analisou o processo, que foi baseado em um pedido da defesa do ex-presidente.

O voto de Nunes Marques é o que vai decidir a suspeição ou não do ex-juiz Sergio Moro. Isso porque o placar está empatado em 2 a 2. Cármen Lúcia e Edson Fachin votaram a favor do ex-juiz em 2018, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votaram pela suspeição de Moro. Além de analisar o processo, Nunes Marques ainda teve a possibilidade de ouvir o voto e o embasamento dos outros ministros da turma antes de votar, avaliando assim como encaminhará sua decisão.

Após o pedido de vistas de Marques, Carmen Lúcia disse que queria proferir um voto preparado por ela. Apesar de ter votado pela não suspeição de Sergio Moro, na volta da pauta para o julgamento da turma, ela pode mudar o entendimento e também votar a favor do habeas corpus e contra Sergio Moro.

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