Número de fumantes diminui, mas ainda preocupa

Pedro Conforte –

Apesar de todas as campanhas para desestimular o hábito de fumar e impostos que elevaram os preços dos cigarros, ainda há no país 21 milhões de fumantes, segundo dados do Ministério da Saúde. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta, sendo considerado um problema de saúde pública. A data, criada em 1986, busca a conscientização da população sobre os perigos do consumo do tabaco.

Um estudo recente do Ministério da Saúde aponta que o brasileiro está deixando de fumar. Segundo a pesquisa, de 2006 a 2017 o número de fumantes diminuiu de 15,7% para 10,1%. Ainda segundo a pesquisa o consumo de tabaco nas capitais brasileiras reduziu em 36%, no mesmo período. Porém, mesmo assim os valores ainda são preocupantes.

A médica pneumologista Géssica Gomes destacou que mais de 4,7 mil substâncias tóxicas e cancerígenas são encontradas no cigarro, como o alcatrão e a nicotina.

“A nicotina age como estimulante do sistema nervoso central. No momento em que a pessoa começa a inalar a fumaça: a pressão sanguínea e a frequência cardíaca se elevam, diminui o apetite e desencadeia náusea e vômito. Já o alcatrão, que é formado por várias substâncias, está ligado a doenças cardiovasculares, câncer, entre outras”, explica.

Fumantes passivos – Na fumaça há de quatro a nove mil substâncias tóxicas, das quais pelo menos 70 são altamente carcinogênicas. O câncer de pulmão costuma ser o mais associado ao indivíduo tabagista, mas ele também pode ser o responsável pelo aparecimento de cânceres na boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim e bexiga. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 31.270 novos casos de câncer no pulmão em 2018, sendo que a maioria deles é provocada pelo fumo.

Os fumantes passivos, aqueles que involuntariamente inalam o fumo dos fumantes ativos próximos, também estão sujeitos a enfrentar os danos do tabagismo.

“Estar em contato, mesmo que indiretamente, com essa fumaça pode aumentar em 30% os riscos de desenvolver câncer de pulmão. E as crianças constantemente expostas têm mais predisposição a desenvolver leucemia, linfoma e tumores cerebrais”, explica a oncologista Mariana Laloni.

De acordo com a OMS, estima-se que o contingente de fumantes passivos no Brasil chegue a 14,5 milhões – número que representa mais de 7% da população nacional. Além do aumentado risco de câncer de pulmão, de colo de útero e de câncer de pâncreas, o grupo ainda pode sofrer derrame cerebral, colite ulcerativa, alergia alimentar, asma e pneumonia. A oncologista ressalta que o risco de câncer de colo de útero chega a ser 73% maior em mulheres fumantes passivas, em comparação as mulheres não tabagistas.

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