Número de ciclistas atropelados cresce 57% em dez anos

O número de atendimentos hospitalares a ciclistas atropelados cresceu 57% entre 2010 e 2019, passando de 1.024, em 2010, para 1.610, em 2019. Até o mês de junho desse ano já foram registradas 690 internações no Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos dez anos foram quase 13 mil internações e R$ 15 milhões a cada ano no tratamento de ciclistas que colidiram com motocicletas, automóveis, ônibus, caminhões e outros veículos de transporte.

O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), que foi lançado na segunda (31). Alguns estados se destacam. São Paulo, o mais populoso do país, teve 4.546 internações nos últimos dez anos, liderando as estatísticas. Minas Gerais aparece em segundo, com 1.379 internações, e o Paraná em terceiro, com 892 internações nesse período. O Rio computou 32 óbitos no ano passado e 509 desde 2010.

“O aumento do número de acidentes envolvendo ciclistas no país é alarmante e evidencia a urgência do aprofundamento da pauta da mobilidade por bicicleta nos três níveis de governo. As pesquisas sobre o tema indicam que cidades que utilizam mais a bicicleta nos deslocamentos tendem a ser proporcionalmente mais seguras aos ciclistas. Em Niterói, por exemplo, o número de viagens por bicicleta mais do que quadruplicou nos últimos anos e não há, no entanto, evidências que indiquem que o número de acidentes com ciclistas tenha aumentado nesta mesma proporção. Isto se deve à implantação de infraestrutura de circulação mais segura e ao melhor preparo dos motoristas à presença do ciclista nas vias”, afirmou Filipe Simões, coordenador do Programa Niterói de Bicicleta.

Recentemente a cidade de Niterói ganhou uma espécie de proteção a mais para que motoristas e ciclistas mantenham uma distância segura, parte integrante de um projeto que instalou balizadores viários, parte de mudanças na malha cicloviária da cidade, feito com a coordenação do Programa Niterói de Bicicleta. Os equipamentos, feitos de plástico flexível por questões de segurança, estão sendo instalados para alertar os motoristas e motociclistas quanto à presença da ciclovia e de obstáculos como segregadores. Nas esquinas, eles servem para ordenar o trânsito, complementando as marcas da sinalização horizontal na pista. Desta forma, evita-se o excesso de velocidade dos veículos, aumentando a segurança dos pedestres e ciclistas na travessia.

Pouco investimento

Para o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, as cidades não têm acompanhado o crescimento da demanda e não têm investido em infraestrutura suficiente.

“É preciso reconhecer que, ao longo dos últimos anos, houve melhorias na estrutura de algumas cidades, sobretudo em grandes capitais como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, essas mudanças não acompanharam a crescente demanda de pessoas que utilizam as bicicletas como meio de transporte, esporte ou lazer”.

Para ele, são necessários espaços físicos diferenciados, mais sinalização e ações educativas que alertem para o fato de que todos fazem parte do trânsito e devem ser respeitados.

“Sem isso, esses indicadores continuarão subindo. É preciso uma mobilização do poder público, com o apoio das entidades médicas, para criar ações conjuntas e efetivas para combater este cenário”, acrescenta.

Nem o isolamento social, em virtude da pandemia do novo coronavírus, freou o número de acidentes. Na comparação com o mesmo período de 2019, as internações tiveram baixa de apenas 13%.

“Isso pode estar associado ao aumento de velocidade e à imprudência, impulsionadas por este momento de menor fiscalização”, avalia Carlos Eid, coordenador do Departamento de Atendimento Pré-Hospitalar da Abramet. De acordo com Eid, o aumento no número de acidentes e consequentes atendimentos médicos são causados pelo maior uso da bicicleta no dia a dia, em detrimento de outros veículos.

“Diversos fatores estimulam essa migração, como o excesso de congestionamento nos grandes centros, o preço do combustível e o custo módico do veículo. Por isso, a bicicleta tornou-se opção competitiva de transporte, o que exige ainda mais nossa atenção”.

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