Número de baleados nos hospitais da região supera os da Baixada e Zona Norte

Augusto Aguiar –

O número de pacientes baleados que deram entrada nos hospitais estaduais nos municípios de São Gonçalo, Niterói e Itaboraí superaram até mesmo as unidades hospitalares da Baixada Fluminense, o que leva a um “diagnóstico” que o estado segue vivendo numa espécie de “zona de guerra”. Esse é o parecer do médico Clóvis Ibrahim Cavalcante, presidente do Sindicato dos Médicos de Niterói, São Gonçalo e Região (Sinmed).
No mais recente levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES), entre os meses de janeiro e julho desse ano deram entrada na rede estadual 1.471 pacientes vítimas de armas de fogo, dos mais variados calibres. Desse total, os hospitais estaduais Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, Azevedo Lima (Heal), em Niterói, e Prefeito João Batista Cáffaro, em Itaboraí, responderam, juntos, por 560 atendimentos, ou seja, 34,39% dos pacientes.

“Isso é a demonstração inequívoca do quanto está a violência na Região Metropolitana. Já tem cursos preparatórios para os médicos enfrentarem essa situação, já que nas faculdades não existe. É novo”, afirmou o médico, que lembrou ainda que o Heat também acolhe pacientes vindos de municípios vizinhos.

Os demais atendimentos de baleados na rede estadual , no mesmo período, estão na Zona Norte do Rio (481), registrados nos hospitais estaduais Getúlio Vargas, na Penha, e Carlos Chagas, em Marechal Hermes. O Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e o Hospital Estadual Robero Chabo, em Araruama, na Região dos Lagos, atenderam respectivamente no período 406 e 24 baleados.
“Antigamente os ferimentos mais comuns eram produziosdos por disparos de revólver calibre 38 e agora têm armas de guerra produzindo ferimentos dilacerantes de membros, o que está levando os médicos a se especializarem em tratamentos de ferimentos de guerra. Quando não mata, transforma a pessoa em deficiente. Toda população está sujeita a isso. Tem muita coisa agregada. Não dá mais pra sair de casa à noite, os bares estão fechando (por exemplo) por falta de clientes. É necessária uma providência urgente. As autoridades intensificam o combate a violência em outros pontos do estado, os marginais vem aqui para a região, e a gente reza”, afirmou Clóvis Cavalcante.

Ainda, de acordo com a SES, o ano passado fechou com números alarmantes, de 2.293 pacientes baleados que deram entrada em hospitais da rede, e em 2017, outras 2.497 vítimas.

BALEADOS

(Dados de janeiro a julho de 2019)

Hospital Estadual Adão Pereira Nunes / Duque de Caxias (406 vítimas)
Hospital Estadual Alberto Torres / São Gonçalo (403 vítimas)
Hospital Estadual Getúlio Vargas / Penha (352 vítimas)
Hospital Estadual Azevedo Lima / Niterói (155 vítimas)
Hospital Estadual Carlos Chagas / Marechal Hermes (129 vítimas)
Hospital Estadual Roberto Chabo / Araruama (24 vítimas)
Hospital Estadual Prefeito João Batista / Itaboraí Caffaro (2 vítimas)

Fonte: Secretaria Estadual de Saúde

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