Novo deslizamento no Boa Vista preocupa moradores

Raquel Morais-

Um novo deslizamento no Morro da Boa Esperança, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, está preocupando ainda mais os moradores da comunidade. Após o primeiro desmoronamento na região, em novembro de 2018, agora uma casa caiu em cima de outras duas construções na madrugada do último domingo. Ninguém ficou ferido, mas o caso chama atenção para a situação desses moradores que passaram, agora, pela segunda tragédia. A Associação de Moradores do Morro da Boa Esperança marcou uma manifestação para o dia 8 de abril, às 17h, com concentração na Estação das Barcas. O grupo promete caminhar até a Câmara dos Vereadores de Niterói para pedir apoio e chamar atenção dos niteroienses, além de participarem de uma audiência pública.

A presidente da associação, a pastora Leandra Neves, de 45 anos, explicou que uma casa caiu em cima da outra e uma terceira corre o risco de ser atingida por esses dois imóveis. “Um homem estava dormindo no colchão onde foi a tragédia e as pernas dele desceram junto com o barro e ele conseguiu se segurar. A segunda casa atingida tinha uma mulher e sete crianças, mas ninguém ficou ferido. E a terceira está correndo risco de receber os escombros dessas duas. Foi um grande livramento, mas a Defesa Civil não tinha interditado a casa ainda. Ainda têm muitas casas em risco”, contou.

O episódio traz à tona toda a lembrança do dia 10 de novembro após o deslizamento de uma rocha ter matado 15 pessoas e ter deixado 22 famílias desalojadas. A dona de casa Renata Caetano, de 24 anos, perdeu dois filhos no deslizamento do maciço e lamentou a tragédia do final de semana. “A sensação é horrível. Perdi dois filhos, vizinhos e amigos que eram praticamente minha família. Agora isso aconteceu novamente e é lamentável. Só peço a Deus muita proteção para todos que moram na comunidade. Ninguém merece passar por isso. Eu fui criada nessa comunidade e é uma dor imensa saber que outras pessoas passaram por isso”, comentou a jovem, que está morando no Cantagalo desde então.

A Defesa Civil de Niterói esclareceu que houve no local a queda do muro de uma casa. O acidente foi provocado pelo acúmulo de entulho junto ao muro. Agentes estiveram no local e interditaram o imóvel atingido e outras duas casas localizadas logo abaixo da residência. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos cadastrou e ofereceu vagas em abrigos municipais para as famílias dos três imóveis interditados, mas, segundo a Defesa Civil, elas recusaram o auxílio.

A Emusa respondeu alegando que está fazendo o desmonte de blocos rochosos que ofereciam o risco de queda da encosta. O prazo para encerrar esta etapa é de seis meses, contados a partir do dia 21 de janeiro. Somente após o desmonte será analisada a necessidade de outro tipo de intervenção. Também depois do desmonte haverá a definição sobre a melhor forma de ocupação da área.
Já as famílias desalojadas em novembro estão recebendo aluguem social de R$ 1.002 por um ano.

OBRAS LENTAS
O local onde o maciço se desprendeu está passando por obras desde então. Porém, essa também é uma questão alvo de reclamações dos moradores. Grande parte da pedra já foi retirada, mas o que as pessoas estão cobrando é a construção do muro de contenção do morro. A presidente da associação disse que o ritmo está lento e que essas intervenções ainda não começaram.

APARTAMENTOS PROMETIDOS
Além do atraso da execução das obras na comunidade outra questão também continua chateando as vítimas, e será explanada durante a passeata de abril. A cobrança do pagamento dos apartamentos em Pendotiba, na Rua Guilhermina Bastos número 710, que inicialmente seriam doados. O valor cobrado a cada família deve variar entre R$ 80 e R$ 280 mensais, dependendo da renda familiar, por 10 anos, além de taxas condominiais. O empreendimento está sendo construído, mas os desalojados não querem pagar pelos imóveis.

Na época que foi anunciado o pagamento, Regina Bienenstein, professora da escola de arquitetura da UFF, esteve na reunião do Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur) e explicou que a justificativa apresentada pela cobrança é que essas vítimas, que são 67 famílias, não estão em situação de calamidade pública. “Esse conjunto não é para habitar desabrigados de risco. Continuamos tentando a não cobrança desse valor. Também estamos tentando outro terreno na própria comunidade. Esse assunto não pode ser esquecido. Se a obra de urbanização tivesse começado teria evitado esse deslizamento do final de semana. É urgente a necessidade de urbanização imediata da comunidade”, pontuou.

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