Novo Batalhão de Choque terá missões difíceis em São Gonçalo

O anuncio da implementação do Batalhão de Choque da Polícia Militar na cidade de São Gonçalo traz consigo missões, como por exemplo reduzir índices criminais que estão em alta na cidade, que é o caso de dois indicadores estratégicos do Instituto de Segurança Pública (ISP), são eles roubos de carga e de veículos. Ainda não há prazo definido para o início das atividades, mas o local já foi definido. A novidade foi anunciada pelo Governador Cláudio Castro (PL), durante comemorações do aniversário da cidade.

A Polícia Militar confirmou que a unidade, batizada como 2º Batalhão de Polícia de Choque (2ºBPChq), ficará sediado na Rua Oliveira Botelho, em Neves, onde atualmente funciona a Corregedoria Geral da Polícia Militar. Além disso, o espaço fica ao lado da 73ª DP (Neves), delegacia responsável pelos registros de flagrantes em toda a região de São Gonçalo, além da cidade de Itaboraí.

Além do comércio ilegal de entorpecentes, traficantes que atuam na cidade, majoritariamente ligados ao Comando Vermelho (CV), possuem outros dois pilares para seus “negócios”: O roubo de cargas e de veículos. O primeiro tem como finalidade abastecer o mercado paralelo, que funciona na maioria das vezes dentro das comunidades controladas pelo crime organizado. Já o segundo tem por estratégia reforçar as “frotas” dos criminosos além de fornecer materiais para desmanches clandestinos.

De acordo com dados mais recentes do ISP, crimes de roubo de veículo cresceram, nos sete primeiros meses do ano, 41,8% em relação ao ano passado. Foram 1.798 casos registrados em 2021 contra 1.268 em 2020. Considerando apenas o mês de julho, a alta foi ainda maior. Neste ano, foram contabilizadas 278 ocorrências do tipo contra 164 no mesmo mês, no ano de 2020. Aumento de 69,5% no total.

Segundo Batalhão de Choque ficará onde funciona atualmente a Corregedoria – Foto: Vítor d’Avila

Em relação aos roubos de carga, o cenário também é de alta, ainda que menor em relação ao roubo de veículos. Nos sete primeiros meses deste ano foram contabilizados 638 casos, contra 541 no mesmo período, em 2020. Isto representa aumento de 17,9%. Se for considerado apenas o mês de julho, a média é menor que a do acumulado do ano, mas a tendência ainda é de aumento. Foram 97 casos em 2021 contra 91 no ano passado. De acordo com o ISP, aumento de 6,6%.

Área de atuação

É importante ressaltar que, ainda que o 2º BPChq tenha sua sede em São Gonçalo, sua atuação não ficará restrita ao município. Segundo a PM, a  missão principal deste batalhão que está sendo formatado será atender às demandas da região da Grande Niterói, São Gonçalo, Região dos Lagos, Norte e Noroeste Fluminense, com efetivo composto por policiais treinados especificamente para missões operacionais especiais, entre elas, ações em áreas deflagradas etc. A nova unidade reforçará a capacidade operacional das tropas na região, ampliando a sensação de segurança para a população.

Especialistas analisam novidade

Para analisar a criação do Batalhão de Choque em São Gonçalo, a reportagem de A Tribuna consultou dois especialistas. Para o professor e pesquisador Doriam Borges, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a melhor solução para o problema da violência em São Gonçalo passa pela articulação com outras esferas. Ele também acredita que devem crescer as incidências de tiroteios entre bandidos e policiais na cidade.

“Não acho que mais um batalhão ou mais polícia seja exatamente a melhor solução. Pode ser uma estratégia, mas não a melhor solução. A gente deve pensar que, enquanto política, seja de prevenção ou de redução da violência, é articulação com outras ações ou políticas específicas com educação, saúde, cultura e esportes. Uma das coisas que acho que vai acontecer são mais conflitos armados entre a polícia e criminosos e, por consequência, maior incidência de letalidade policial”, analisou.

Já o professor Ignácio Cano, que é membro do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da UERJ, possuir apenas o 7º BPM (São Gonçalo) de fato é muito pouco para um município com aproximadamente 1 milhão de habitantes. Ele também entende que, por se tratar de um batalhão com atuação específica, a colocação de uma unidade do Choque em São Gonçalo atende a uma questão estratégica da PM.

“Não que a criação de um batalhão seja a solução, mas para uma cidade de 1 milhão de habitantes deveria ter mais de um. Apenas um parece pouco. O Choque tem uma função muito específica. Não é necessário um Choque para cada lugar e sim poucos estrategicamente situados, mas nem todo batalhão precisa ter, necessariamente, um componente de Choque”, afirmou.

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