Nova gestão da Beneficência Portuguesa quer reabrir o Hospital Santa Cruz

O Hospital Santa Cruz, que fica no Centro de Niterói, será reaberto no final do ano. É o que afirma o atual presidente da Associação Beneficência Portuguesa de Niterói, o médico Pedro Archer. Para que isso ocorra, a entidade ingressou com pedido de recuperação judicial, que será analisado pela Justiça. Além da pretensão de reabrir a unidade, a ideia é quitar o passivo trabalhista e previdenciário, que somam quase R$ 200 milhões.

Em entrevista ao jornal A TRIBUNA, Archer explicou que, atualmente, o passivo trabalhista da Beneficência Portuguesa, proprietária do Santa Cruz, está na casa de R$ 60 milhões, enquanto o previdenciário teria valores em torno de R$ 140 milhões. Boa parte dessa dívida foi adquirida em 2013, quando a unidade foi fechada e houve demissão em massa de funcionários. Archer ressalta que, antes disso, já havia problemas de gestão.

“O hospital é um dos imóveis da Beneficência, que é um órgão e tem diversos imóveis, sendo o principal o hospital, e o segundo é o asilo. O hospital fechou em 2013 e todos os funcionários foram mandados embora de uma vez só, o que causou o transtorno trabalhista, mas desde antes havia problemas de gestão”, afirmou Pedro Archer, que está há aproximadamente um ano e meio na presidência da associação.

O presidente explicou que no novo modelo de gestão previsto para o hospital, a administração será feita por uma empresa gestora de saúde. Há negociações em andamento. A intenção, segundo Archer, é reaproveitar a mão de obra dos funcionários dispensados em 2013 que ainda não tenham conseguido se recolocar no mercado de trabalho. Dessa forma, também seria possível renegociar débitos trabalhistas.

“Está tudo abandonado. Existe apenas a alvenaria. Primeiro é necessário a recuperação judicial e suspender todas as penhoras e execuções. O segundo passo é um arrendamento, por uma empresa gestora de saúde ou por uma empresa operadora de saúde, que vai montar o hospital e fazer as reformas necessárias. Antigamente eram os sócios que geriam o hospital, isso não vai acontecer mais”, prosseguiu.

Má gestão e suspeita de fraude

Segundo o atual presidente, faltou “boa intenção e profissionalismo” por parte da gestão anterior para reestruturar a Beneficência e manter o funcionamento do hospital. Archer afirmou que uma auditoria está sendo feita nas contas da associação e, de acordo com ele, foram encontrados indícios de fraude. Ele afirma que registrou uma queixa-crime na Polícia Civil e uma investigação foi aberta pela Delegacia de Defraudações.

Hospital Santa Cruz está fechado desde 2013 – Foto: Arquivo/A Tribuna

“Comecei a acompanhar de fato a história da Beneficência Portuguesa no final de 2012. Acompanhei de perto a última gestão, que ficou por sete anos. Faltou profissionalismo e boa intenção para querer reestruturar. O ex-presidente não passou nada para nós. Ele me convidou para assumir a presidência e aceitei. Na primeira semana chamei um contador para fazer a transição de gestão e vi que poderia haver problemas, como penhoras trabalhistas destinadas ao presidente da instituição”, denunciou Archer.

Fomentar a economia

O presidente da associação afirmou que chegou a dialogar com a Prefeitura de Niterói sobre uma eventual cooperação, mas, inicialmente, o Município não teria se interessado. Archer frisou que a reabertura do Santa Cruz deve gerar empregos diretos e indiretos. No que diz respeito á concorrência com outras unidades de saúde, ele afirmou não temer porque há extensa demanda na região.

“A rede hospitalar de Niterói só cresceu com o fechamento do Santa Cruz. Tem demanda e mercado para saúde porque a cidade atende a Região Metropolitana II toda. E na região não tem outro hospital filantrópico. A primeira atitude que fiz quando assumi foi procurar o Município. Tive algumas reuniões com o secretário de Saúde mas, a princípio, não houve grande interesse”.

Por fim, Pedro Archer disse estar confiante no deferimento do pedido de recuperação judicial, principalmente porque o patrimônio da Beneficência supera o valor do passivo, segundo levantamento feito por sua gestão. Ele ainda destacou que com a recuperação judicial aprovada será mais fácil pagar as dívidas da associação.

“Preparamos por três meses a peça da recuperação judicial e demos entrada no pedido semana passada. A intenção é dar segurança jurídica e dar sequência ao projeto de reabertura do hospital. A gente fez um pedido de tutela antecedente para conseguir a suspensão das penhoras e execuções e, com a renda trabalhista liberada, a gente consegue um fluxo de caixa para dar o andamento”, completou.

Representação Jurídica

Diante de uma situação jurídica de tamanha complexidade, diversos advogados e escritórios estão atuando na representação da entidade perante o Poder Judiciário. De acordo com a Assessora Jurídica do presidente, Dr.ª Denise Beck, o Dr. Bruno Gameiro, sócio fundador do Gameiro Advogados, é quem está responsável pela Ação de Recuperação Judicial. Os processos no âmbito da Justiça do Trabalho estão sob os cuidados do Dr. Lauro Rabha. E o professor Dr. Vilson de Almeida é o responsável por todo atendimento nas questões criminais.

Reuniões

Na tentativa de reagrupar seus associados, e sem espaço físico próprio disponível para as deliberações, a diretoria da Beneficência Portuguesa vem se reunindo no Clube Português de Niterói, cujo presidente Orlando Cerveira, e Vice-presidente, Fernando Guedes, estão colaborando para que o objetivo da entidade de reerguer o Hospital Santa Cruz possa ser alcançado.

Vítor d’Avila, Victor Andrade e André Freitas

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