Notícias falsas nas redes sociais sobre crianças espalham pânico em Maricá

Augusto Aguiar –

Mais uma vez a polícia e a população estão preocupadas com a disseminação de notícias falsas nas redes sociais (chamadas fake news), mais precisamente de uma suposta incidência de ocorrências de crianças raptadas na cidade de Maricá. Há algum tempo, esse mesmo tipo de “notícia falsa” teria sido “espalhado” nas redes sociais, mas em São Gonçalo.

Nessas fake news haviam relatos de que criminosos estariam atuando em bairros da cidade de Maricá, abordando moradores e tentando raptar crianças em residências e, em alguns supostos casos, em abordagem de seus respectivos responsáveis nas ruas. Autoridades da área de segurança enfrentaram esse mesmo tipo de problema, com uma série de boatos também sendo espalhados em áudios nas redes sociais na Baixada Fluminense no ano passado e em 2017. Esses relatos foram desmentidos em comunicados oficiais das polícias Civil e Militar. A mesma iniciativa, com objetivo de tranquilizar a população, está sendo tomada pela titular da 82ª DP (Maricá), delegada Carla Tavares.

“Gostaria de alertar a população maricaense sobre um fato que está dominado as redes sociais, que são as tentativas ou sequestros de crianças na cidade de Maricá. Isso não é verdade. E se for verdade, se alguém tiver notícia de algum fato desse, a pessoa precisa procurar a delegacia para podermos investigar. Porque até esse momento a gente não tem esses registros que as pessoas estão noticiando. E tudo que aparecer na delegacia a gente vai investigar e comunicar a população. Então espere o comunicado da polícia. Se isso acontecer, a gente vai comunicar para alertar. Não estamos aqui para esconder fato nenhum. Estamos aqui para investigar e a participação da população é muito importante nessa investigação. Mas tenhamos cuidado com as notícias falsas que estão circulando por aí, causando pânico na população”.

Em setembro do ano passado, em Niterói, ocorreram relatos postados nas redes sociais sobre supostos raptos de crianças nas imediações do Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no Fonseca, na Zona Norte, e na Região de Pendotiba. O mesmo ocorreu (esse mais antigo) no bairro de Neves, em São Gonçalo, sobre ocupantes de um veículo que circulava nos limites das duas cidades com pessoas que estariam raptando crianças. Com objetivo de esclarecer a população sobre esses informes, que tanta preocupação e transmitiu para as pessoas, o chefe do Setor de Desaparecidos da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), delegado Gabriel Poiava, explicou que essas ocorrências, em sua maioria, não existem, pelo menos no eixo Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá.

“Trabalhamos com os casos de desaparecimento. E no caso de crianças, abaixo de 12 anos, não é comum esse tipo de ocorrência. O último caso do tipo foi o da menina Polyanna, desaparecida em abril de 2015 (não encontrada desde então). Quando surge um informe sobre esse tipo de ocorrência, a primeira coisa que fazemos é entrar logo em contato com a família num primeiro momento. Quando o informe é sobre crianças, normalmente é boato, mas realizamos a checagem”, explicou. O delegado informou ainda que existem os casos de desaparecimento de adolescentes e idosos, por circunstâncias relacionadas a desentendimentos e a doenças relacionadas à idade mais avançada, respectivamente, mas que segundo ele em 90% dos casos esses desaparecimentos são resolvidos e encerrados.

O delegado informou na ocasião que é infelizmente é comum as pessoas ficarem replicando esses boatos nas redes sociais, e explicou que em setembro do ano passado haviam cerca de 50 casos de desaparecimento por mês no Setor de Desaparecidos da DHNSG, no entanto enfatizou que não havia nenhum de criança, abaixo de 12 anos, desaparecida ou raptada nos municípios de abrangência da especializada.

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