No Rio, Nilton Caldeira deixa Habitação para ser vice

A saída de Nilton Caldeira (PL), vice-prefeito do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Habitação, para dar lugar à Claudio Caiado, pré-candidato à deputado estadual e irmão de Carlo Caiado (DEM), presidente da Câmara Municipal carioca, pode estar diretamente relacionada à corrida pelo governo do Estado do Rio de Janeiro no ano que vem. O argumento que teria sido utilizado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) para que não houvesse mal-estar com a exoneração de seu vice da pasta seria a necessidade de tê-lo mais perto das ações da chefia do executivo, dando-lhe, inclusive, maior protagonismo político na gestão municipal.

Em nota, Caldeira se despediu da secretaria, dizendo à população do Rio ainda mais como vice-prefeito do nosso Rio de Janeiro, prometendo dar o seu melhor, com muito diálogo, trabalho e amor.

“Hoje, depois de oito meses à frente da Secretaria Municipal de Habitação, passo a me dedicar prioritariamente ao meu papel de vice-prefeito. Tenho muito orgulho de todo o trabalho que exercemos ao longo deste período na Habitação e dedico nosso sucesso ao trabalho duro de todos que compõe essa querida equipe! Pessoas extremamente qualificadas e dedicadas, com quem pude aprender e crescer junto!  Desejo muito sucesso ao novo secretário de habitação, certo de que há uma equipe técnica excelente à sua espera” – disse Caldeira.

O vice-prefeito relembrou a época em que foi escolhido para integrar a chapa de Eduardo Paes, recordando que uma de suas maiores vontades era a de ser um vice-prefeito muito presente, que pudesse estar na rua, vendo de perto os problemas enfrentados pela população, podendo apoiar o prefeito, para que o alcance do trabalho pudesse ser dobrado.  “Acredito que um dos maiores motivos do Eduardo ser reconhecido como um bom gestor é o seu engajamento pessoal na resolução dos problemas, então nada melhor que ter um vice-prefeito que possa ser mais uma extensão dessa qualidade” – frisou.

Apesar de o argumento ressoar mais como desculpa, com o verniz de justificativa improvisada, nos bastidores da prefeitura do Rio há quem garanta que a saída de Caldeira da pasta foi muito bem negociada entre ele e Paes. Há fontes que sustentam, inclusive, que o espaço de Caldeira, antes restrito às ações da Habitação, será muito mais amplo daqui por diante.  

Desde que o Partido Liberal assumiu o protagonismo político no estado do Rio de Janeiro, mediante a filiação de vários prefeitos e, também, a do governador Cláudio Castro, que concorre à reeleição, que a relação política de Eduardo Paes com a legenda – cujo apoio foi fundamental na eleição de Paes sofre com especulações sobre o destino dos membros do partido ocupantes de cargos na administração municipal. Isso porque o alcaide carioca não se restringe apenas à gestor da cidade maravilhosa. Ele é, atualmente, um dos caciques políticos do estado, e potencial pré-candidato ao governo do estado, apesar de ter anunciado Felipe Santa Cruz, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil como seu afilhado político na corrida pelo Palácio Guanabara.

A saída de Caldeira da Secretaria Municipal de Habitação, no entanto, até pode estar associada à necessidade de acomodação política dos aliados de Paes. Mas não há, pelo que se sabe, desgaste algum na relação entre o prefeito e seu vice. Ao contrário do que pode parecer, a relação, segundo apuramos, está ainda mais fortalecida.

Como na política o nunca e o para sempre não existem, a posição de Paes é semelhante às mexidas feitas por Cláudio Castro em seu secretariado no governo do estado, após sua ida para o PL.  

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