Niteroienses dividem aluguel comercial para driblar a crise

Raquel Morais

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) apontou recuo no valor do aluguel de 1,56% em maio quando comparado a abril. A pesquisa teve como base o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) e tem niteroiense que está ‘dando nó em pingo d’água’ para conseguir driblar a crise e diminuir o valor do aluguel. Para isso vale até dividir o mesmo ambiente de trabalho, por exemplo.

A Muniz e Gaby em uma sala da Rua Sete de Setembro, em Icaraí. Já o escritório da Marcenaria Glamwood tem sede no mesmo endereço. O que pode parecer estranho à primeira vista, trata-se de uma forma de economizar sem abrir mão do espaço. O uso compartilhado de salas e ambientes podem impactar na redução dos custos em exatos 50%. Apenas o telefone e os estagiários são pagos separadamente. Luz, internet, aluguel, condomínio, água e mais todos os gastos comuns são rateados por dois.

A Beatriz Muniz e Karla Gaby são as sócias da empresa de designer de interiores e são amigas do Glaucio Motta e Glauce Botelho, sócios da marcenaria. “Não temos a obrigação de indicar clientes uns para os outros, mas sempre que podemos é melhor trabalhar com amigos. Essa medida deu muito certo e estamos há quatro anos dividindo o espaço que trabalhamos. Trabalhávamos de casa e acaba que fica mais barato dividir esse custo”, comentou Bia Muniz, como é conhecida no segmento. Para Glaucio, a parceria também é muito lucrativa. “Fica tudo mais em conta quando dividimos por dois. Também temos uma sala de reunião em comum e usamos uma agenda para programar esse uso. Não temos problemas”, completou o marceneiro.

A economista Maria José Fróes Feres explicou que em tempos de crise é preciso desenvolver a criatividade e fortalecer as conexões. “Pensar nas diversas possibilidades de diminuir o impacto da crise no orçamento pessoal ou da empresa passa a ser tarefa obrigatória. Despesa de aluguel é uma das que mais impactam o orçamento, especialmente por ser uma despesa fixa, aquela que não depende de sua produção para acontecer. Mas é preciso deixar bem claro para as partes todos os riscos e benefícios dessa divisão, buscando o comprometimento e responsabilidade mútuos. Vale colocar no papel algumas cláusulas e firmar um acordo documentado e assinado. E assim aproveitar as oportunidades que surgirão a partir daí”, apontou a especialista em finanças pessoais e para negócios, também sócia da Sommos Consultoria Financeira.

“Casais de namorados, amigos e muitas vezes até desconhecidos estão se juntando para dividir o peso da dívida com o aluguel. A prova disso pode ser verificada no aparecimento de sites especializados (Moove in e Easy) em promover esses encontros, conectando pessoas interessadas em dividir uma casa, apartamento ou até mesmo morar em repúblicas. Uma sábia decisão uma vez que o custo com aluguel consome pelo menos 30% da renda familiar”, explicou a diretora operacional do Sistemas de Cooperativas de Credito do Brasil (Sicoob Central Rio), Nabia Jorge.

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