Niteroienses contam como enfrentam a pandemia morando no exterior

Passar pela pandemia no exterior pode ser uma experiência menos traumática do que no Brasil. Niteroienses contam como passaram pelos terríveis momentos de medo da contaminação pelo coronavírus e como estão enfrentando a liberação gradual do comércio e a volta da rotina. Medo e angústia se misturam com a esperança de dias melhores, principalmente para o Brasil, que enfrenta números alarmantes da doença e já é o terceiro país com mais mortes no mundo.

A professora de dança Purificacion Pérez, de 34 anos, mora na Espanha há 9 meses e contou um pouco da experiência de passar pela pandemia em outro país ao lado do marido, Thiago Costa, de 37 anos e do filho Danilo, de 2 anos e 9 meses. Há cerca de um mês o governo local liberou parcialmente as pessoas da quarentena e também tem permitido, aos poucos, a abertura de estabelecimentos.

“A pandemia tem sido enfrentada com muito respeito desde o início da quarentena. A população tem uma cultura muito séria no sentido de respeito das orientações do governo e do Ministério da Saúde. Quando não podia sair de jeito nenhum, ninguém saiu mesmo. Não tinha nenhum tipo de movimentação na rua e o máximo que estava aberto era mercado e farmácia. De umas três semanas para cá começaram a diminuir o isolamento e estamos voltando à rotina de forma gradativa. Existe uma diferença de postura em relação ao Brasil. Aqui usamos o sistema público de saúde que funciona e mesmo assim o governo preparou hospitais de emergência, que nem foram usados. É estranho voltar essa rotina mas acho que, infelizmente, tudo que passamos tem a tendência a ser esquecido, e às tantas lições atuais se perderem”, contou a mestranda em educação.

A gerente de restaurantes Karine Rodrigues, 37 anos, está morando em Portugal há 1 ano e 4 meses e também está comemorando a liberação aos poucos da vida normal. A primeira coisa que a niteroiense fez foi ir a um parque ao ar livre e depois curtiu uma praia. Ela explica que tem medo de ir na rua e tenta considerar os pontos positivos dessa pandemia.

“Em Portugal o governo é muito preocupado com a população e eles são muito educados e conscientes. As pessoas tendem a não ser tão egoístas, como infelizmente no Brasil, assim que decretaram a primeira quarentena as pessoas já ficaram em casa. Nos principais feriados, como Páscoa e Dia do Trabalhador, eles fizeram o lockdown. Eu tive que andar com uma declaração da minha empresa para justificar a minha saída para a rua”, frisou.

A moradora de Lisboa aponta a crise política que o Brasil enfrenta como fator negativo para o combate ao vírus.

“Nosso presidente se mostra despreparado para uma situação de caos como está acontecendo. Ele é o único presidente que vai contra a OMS e somos um país no meio de uma pandemia que está sem ministro da saúde. Onde a vaidade do presidente se coloca a frente dessa situação toda, e é uma pena. As pessoas que mais amo estão no Brasil. Minha família está toda em quarentena e são muitos conscientes. A melhor opção é ficar em casa. Momento da reflexão e a humanidade tem que parar de olhar para dentro e olhar para fora. Todo mundo deveria fazer o exercício diário da compaixão e da empatia”, completou.

Já Louise Peres, 32 anos, mora desde 2014 em Nova York e disse que a celeridade na evolução da doença a deixou assustada.

“Aqui já foi o epicentro do coronavírus e foi muito assustador. Acompanhamos os casos aumentando desde meados de março e sabíamos que com certeza haveria um colapso no sistema de saúde. A população entendeu, ficou em casa e esses números vêm caindo muito. A epidemia aqui está quase controlada. Meus pais e meu irmão moram em Niterói e eu estou muito preocupada, porque vejo que isso não está acontecendo aí. É desolador. Não sei quando poderei ir para o Brasil ver minha família. É muito triste essa realidade e mais ainda é ver meu país ser tão negligente quanto a um problema que o mundo inteiro está tentando solucionar”, finalizou.

Ajuda do lado de cá

Pensando em entender um pouco mais sobre a pandemia no exterior a jornalista Flávia Abranches, 38 anos, explicou que resolveu realizar ‘lives’ com as amigas que moram fora. As conversas deram origem ao projeto “Conexão entre Cidades”, e Niterói é a protagonista.

“Eu queria saber como outras cidades estavam lidando com a pandemia, quais medidas foram implementadas, políticas públicas desenvolvidas para amenizar os impactos econômicos e como é o comportamento de outros povos e seus governantes diante dessa nova realidade mundial. Me senti na obrigação, como jornalista, de compartilhar informações. Nas lives, compartilhamos dados sobre o cenário, estatísticas e medidas de combate e prevenção, além de abordarmos os desafios da quarentena. Tenho conhecido pessoas do mundo todo e mantemos contato. Após a live, eles seguem me atualizando sobre tudo, mandam imagens que publico. A audiência também interage enviando perguntas e mantêm o contato comigo”, conta Flávia.

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