Niteroienses buscam pescado após operação em frigoríficos

Raquel Morais –

Após anúncio da Operação Carne Fraca desenvolvida pela Polícia Federal (PF), na qual foi encontrada irregularidades em frigoríficos, niteroienses estão optando pelo consumo do peixe como fonte de proteína. Dados da Associação dos Comerciantes do Mercado de Peixe São Pedro, o tradicional Mercado de Peixe no Centro, apontam aumento de 20% na procura pelo pescado desde o final de semana.

O diretor da associação, Atílio Guglielmo, explicou que o movimento foi maior no sábado e domingo. Os peixes mais baratos são os mais procurados, como a corvina e anchova, que custam entre R$ 14 a R$ 20 o quilo. Quem escolhe gastar um pouco mais opta pelo dourado e camarão, que custam em média R$ 40. “Percebemos essa demanda maior e acreditamos que muita gente ficou reticente para consumir a carne vermelha”, sintetizou.

A professora de dança Débora da Costa, de 32 anos, é um exemplo dessa migração na mesa. “Sempre gostei muito de carne, mas confesso que fiquei com nojo depois de saber dos resultados da operação. Também não consigo almoçar e jantar sem carne, pois fico com fome poucas horas depois. Então estou comendo muito peixe desde o final de semana. E quando não posso ir no mercado comprar o peixe fresco, compro uma lata de atum ou sardinha”, explicou a niteroiense, que mora sozinha.

O empresário José Barbosa, de 68 anos, dono da M Carnes em Icaraí, ainda não percebeu queda nas vendas da carne bovina. “Acredito que por estarmos há anos no mesmo ponto as pessoas confiam no meu trabalho”, comentou.

Especialistas também apontam a importância do consumidor saber a procedência dos alimentos. Isso inclui a cor da carne e cheiro. “Foi falado em alguns momentos que a indústria maquiava a carne para comercializar. Essa é uma interpretação errada, no meu entendimento. Com as substâncias aprovadas, isso não é possível. Você não consegue utilizar [aditivos] para mascarar uma carne deteriorada. Visualmente, quando você adiciona algum produto, a carne fica pior do que estava antes”, explicou o professor Sérgio Pflanzer, doutor em Tecnologia de Alimentos.

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