Fotógrafo niteroiense expõe em Moçambique

O fotógrafo e produtor cultural niteroiense, Davy Alexandirsky, vai inaugurar sua exposição “Preto Branco”, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, da embaixada do Brasil em Maputo, hoje. O trabalho tem como objetivo mostrar o cotidiano e a relação natural das pessoas albinas, valorizando suas potencialidades e trabalhando uma ‘contracultura’ de conscientização, por meio da arte visual, para evitar e minimizar a situação dramática que eles vivem no dia-a-dia, com amputações, estupros e sequestros, em países africanos, como a Tanzânia, Malawi e Moçambique, por exemplo.

O projeto “Preto Branco” nasceu com a intenção de ser um grito de alerta poético para sensibilizar pessoas sobre a necessidade da mobilização mundial pela defesa dos direitos humanos dos albinos, no continente africano, onde são caçados e mutilados, para que partes dos seus corpos sejam utilizadas como amuletos.

De acordo com Davy, a ideia é tirar da invisibilidade uma questão de enfrentamento complexo, que implica no desafio de lidar com uma cultura e tradição ancestral, que dá aos “Médicos Tradicionais” daqueles países, conhecidos por acreditados poderes religiosos de cura, uma dimensão de autoridade.

Entendendo que Cultura se combate com Cultura, “Preto Branco” é uma proposta de se apropriar da arte como elemento para fazer frente aos artifícios culturais que sustentam a crença de que o sangue dos albinos, seus cabelos e partes dos seus corpos podem trazer vantagens. A iniciativa usa a arte para desconstruir essas crenças, permitindo aos albinos mostrarem-se como eles se enxergam diante do espelho, além de lhes dar a chance de serem vistos por sua potência.

“Quero mostrá-los – ou deixar que se mostrem – imageticamente, em seus ambientes familiares, profissionais e de lazer”, ressaltou Alexandrisky.
O recorte que elegeu Moçambique para a largada do projeto Preto Branco se deve à necessidade emergencial de se enfrentar a questão no exato momento em que essas práticas se inauguram naquele território, não se configurando, ainda, uma expressão de cultura local. Trata-se de uma questão exógena, que resulta da forte repressão iniciada contra os mercadores de órgãos dos albinos em países fronteiriços, principalmente na Tanzânia e Malawi, locais onde a prática dos sequestros e mutilações de albinos alcança números estarrecedores.

“Estamos apresentando uma proposta de empoderamento dos albinos, que aposta na sua potência para enfrentar, de peito aberto, essa situação adversa, que se multiplica na África e agora se instala em Moçambique”, alertou Davy.

A exposição “Preto Branco” traz 45 imagens, de tamanhos variados, feitas com 30 personagens albinos de três províncias de Moçambique. Nesta segunda viagem ao país, além de inaugurar a mostra, Davy vai visitar as outras seis províncias da Região Norte de Moçambique, onde o problema é ainda mais grave, para registrar mais personagens, até chegar a um total de 200, que farão parte de um livro a ser lançado em 2018. A mostra Preto Branco segue para a Tanzânia, em setembro deste ano (2017).

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