Niterói vai testar novo modelo de ônibus elétrico

Menos gases poluentes no ar e os altos preços dos combustíveis levaram a Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade a testar dois veículos elétricos da empresa chinesa BYD que circularam 30 mil km por Niterói de setembro do ano passado a fevereiro deste ano.

No entanto, os testes iniciais foram encerrados e a SMU aguarda receber, em breve, um novo veículo, de empresa diferente da primeira fornecedora, para iniciar uma nova bateria de testes e análise comparativa a dos dados coletados.

Além do preço do modelo, que custa três vezes mais do que um ônibus a diesel, o elétrico só roda 250 quilômetros com uma carga nas baterias. Autonomia muito baixa.

A Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade informou que, até o momento, dois veículos da empresa fornecedora BYD circularam pela cidade, no período de 21 de setembro de 2021 até 7 de fevereiro de 2022.

Seguindo referências técnicas oficiais do Instituto de Desenvolvimento da Amazônia (Idesam), durante os cinco meses de testagem do ônibus elétrico, foram percorridos 30 mil km nas linhas de ônibus em Niterói, o que permitiu a não emissão de aproximadamente 800 kg CO² na atmosfera.

“Os testes iniciais foram encerrados e a SMU aguarda receber, em breve, um novo veículo, de empresa diferente da primeira fornecedora, para iniciar uma nova bateria de testes e análise comparativa dos dados coletados.”

A SMU destacou que um dos maiores desafios para a implantação da tecnologia é o fato de ter custos mais altos em comparação com a atual tecnologia a diesel. O custo de aquisição de um veículo elétrico é quase três vezes maior que um mesmo veículo a diesel. “Portanto, é preciso minimizar o aporte financeiro para a aquisição, levando em conta também que a tecnologia elétrica tem custos menores de manutenção, sem mencionar os inúmeros benefícios ambientais com a utilização”, explicou.

Outro desafio verificado durante o período de testes se refere à autonomia das baterias utilizadas. Em Niterói, os ônibus testados de acordo com as especificações técnicas da empresa atingiam uma autonomia de 250 km. O período de testes também permitiu avaliar o impacto de elementos como: adequação da temperatura do ar condicionado, lotação do veículo e modo de operação do condutor. Essa análise mostrou a necessidade de subestações e recargas necessárias aos veículos elétricos durante os percursos.

A SMU esclareceu que “o estudo técnico é fundamental para colher dados necessários para um futuro edital de licitação de frota limpa que irá operar na cidade, o que dará subsídio ao poder público quanto à pertinência de uso da frota elétrica, seja do ponto de vista operacional (quantidade a ser adquirida), quanto do ponto de vista econômico-financeiro.”

Diante das condições econômicas do atual cenário internacional, não há uma previsão de data para incorporação definitiva de ônibus elétricos à frota do município. Por esse motivo, ainda não foi pensado um modelo de financiamento para esses veículos. A Secretaria espera ainda a entrada de novos fabricantes neste segundo semestre, gerando maior competitividade para o mercado de ônibus elétricos”.

A história do transporte elétrico em Niterói

Nos anos 1940 Niterói estava na vanguarda em se tratando de transportes coletivos elétricos. No livro O Bonde em Niterói, obra de Cristina da Fonte Pontes e Salvador Mata e Silva, editada em 2008 pela Niterói Livros, a história dos bondes puxados por animais aos ônibus do século XXI, passando pelos bondes elétricos, bonde a vapor é contada.

Na obra, Niterói é mencionada como a sétima cidade do país a contar com um dos transportes mais modernos do século XIX: o bonde. Para se ter uma ideia do que isso representou para a época, basta dizer que a grande São Paulo foi a décima segunda a receber a melhoria.

Em 1965, numa decisão do governo do Estado, todos os bondes de Niterói e do Rio foram sucateados sob a argumentação de que atrapalharam o trânsito nas cidades. O fato foi tão chocante que autoridades da prefeitura de São Francisco, na Califórnia (EUA) vieram ao Rio e compraram algumas unidades que escaparam do sacrifício que foram incorporadas a rede da cidade americana.

Também o trólebus, popular “Chifrudo”, fabricado na França, não poluente, silencioso, com motor elétrico, funcionava muito bem tanto em Niterói como no Rio, resistindo até o final dos anos 1960 quando as autoridades sucumbiram ao cartel do óleo diesel.

Hoje, ironicamente, os governantes tentam ressuscitar o bonde e o trólebus através de projetos como o VLT.