Niterói vai criar programa de apoio à agroecologia

Quem está em plena área urbana de Niterói nem imagina que em local bem próximo ao agito da grande cidade existe um cinturão de produtores rurais e com estrutura familiar que, além de produzir de forma sustentável, ainda ajuda a preservar as áreas em que estão instalados. Para ajudar a fomentar esse segmento, a Prefeitura de Niterói vai criar políticas públicas de apoio à agroecologia. A regulamentação agora, depende de entraves burocráticos dos próprios produtores para que os ‘selos’ comecem a ser expedidos.

O anúncio foi feito pelo prefeito Rodrigo Neves durante reunião com representantes deste segmento no mês passado. O chefe do Executivo propôs a criação de um grupo de trabalho para que o projeto comece a ganhar forma. Entre os benefícios estarão a criação de oportunidades para o escoamento interno da produção, abertura de linha de crédito para os agricultores, incentivo para comercialização e criação de um selo de qualidade e certificação.
Niterói tem hoje cerca de 68 produtores rurais diretos e 102 indiretos, trabalhando em sítios ou chácaras e em corredores produtivos em localidades como Muriqui, Pendotiba, Sapê, Rio do Ouro, Chibante, Vila Romana, Alto do Muriqui, Jacaré, Várzea das Moças e Engenho do Mato. Nesses locais, entre outras coisas, são produzidos queijo e leite de cabra, frutas e hortaliças, e cogumelos shitake.

“Estamos criando o grupo de trabalho para o programa de apoio ao produtor urbano”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves. “Vamos regulamentar a agroecologia em Niterói de forma que o segmento fique garantido e tenha perenidade. A certificação é muito importante, mas até que se tenha o selo podemos criar outras iniciativas que possam dar suporte aos produtores. Atuaremos de acordo com as necessidades. Os produtores precisam desse incentivo”, reforçou o prefeito.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino Moreira Leite, destacou que vai se reunir com os representantes dos produtores e das secretarias de Meio Ambiente, Educação e Assistência Social para traçar o planejamento para apoio aos produtores e regulamentação do selo.
“Niterói tem um bom mercado consumidor. Assim como fizemos com o selo cervejeiro, também vamos dar apoio aos produtores rurais da cidade. Vamos estudar a forma de legalização, certificação e também podemos intermediar financiamento com agências de fomento. É mais uma forma de movimentar a economia da cidade e promover emprego e renda”, disse o secretário.

Representantes do Instituto Agroecológico de Niterói destacaram a importância deste tipo de incentivo para os produtores para serem efetivamente regulamentados e incluídos no cadastro de economia familiar.

“Isso é um marco. É um resgate de 20 anos. Queremos ser reconhecidos como produtores. Essa iniciativa será muito importante para a categoria. Com esse incentivo, muitos agricultores poderão trabalhar somente com suas produções. São trabalhadores que cuidam para que não haja degradação ambiental, produzindo de forma sustentável”, destaca Ricardo Nery, presidente do Instituto Agroecológico de Niterói.

O publicitário Matheus Moraes iniciou sua produção de shitake na sua propriedade no Muriqui. Ele pretende poder futuramente vender um alimento saudável e livre de qualquer agrotóxico, produzido de forma totalmente sustentável.

” A venda é muito importante, mas estamos querendo repensar também essa relação com o alimento e podemos começar levando isso para as escolas porque as crianças são as melhores para apender”, disse Matheus.

Há 45 anos no Brasil, o francês Jean Pierre Fallet escolheu Niterói para produzir seus queijos, que não deixa a desejar se comparado aos produtos da sua terra natal. Ele mora desde que veio para o país em uma propriedade no alto do Muriqui, onde com leite de cabras locais produz queijos de forma artesanal, mas seguindo todo um padrão de qualidade e técnicas especificamente francesas.

Andreia Daflon é analista de sistema e planta ora-pro-nóbis em sua propriedade. “A mentalidade das pessoas está mudando. Estão começando a querer saber da origem e como é produzido. Estamos caminhando para tentar profissionalizar nosso trabalho, mas nosso papel como defensores e produtores que preservam o meio ambiente é de fundamental importância”, disse Andreia.

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