Niterói recebe peça solidária no Dia da Consciência Negra

No dia em que se celebra a Consciência Negra, hoje, Niterói vai receber o espetáculo infantojuvenil, afrofuturista “A Saga de Dandara e Bizum a Caminho de Wakanda”. A peça traz diversas referências históricas da cultura negra, entre o ancestral e o futurista. A apresentação vai acontecer no Teatro Popular Oscar Niemeyer, no Centro, às 11h e entrada será um quilo de alimento não perecível.

Uma montagem inédita, que narra a história de duas crianças que vivem em uma periferia do Rio de Janeiro no ano de 2080, um quilombo chamado Palmares e decidem partir numa viagem sem volta com a missão de salvar o mundo de todos os males e fazer o sol voltar a brilhar. Entre muitos desafios, reviravoltas e aventuras elas precisam encontrar o caminho até Wakanda.

Poesias da escritora Conceição Evaristo compõem a saga que tem uma estética afrofuturista e aborda diversos temas como: respeito ao próximo, igualdade de gênero, racismo estrutural, tolerância religiosa, colonização cultural, representatividade, ancestralidade, entre outros.

A peça conta com a direção e texto de André Lemos,o primeiro artista negro a ganhar o prêmio Shell de Teatro na categoria Direção em 2019, Lázaro Ramos como produtor associado, direção de produção de Simone Braz. No elenco Reinaldo Junior, Juliane Cruz, Tati Villela, Tarso Gentil, Rudson Martins e Wayne Marinho. A orientação musical é de Fábio Mukanya, a direção musical de Maria Clara Coelho, as músicas são da Confraria do Impossível, Maria Clara Coelho e Domínio Público, a direção de movimento de Reinaldo Junior, a orientação das danças do oeste africano é de Sabrina Chaves, os figurinos de Reinaldo Junior e Rona Neves, os adereços de Rona Neves e Tarso Gentil, o cenário de Tarso Gentil, a confecção de bonecos de Era uma vez o mundo, a luz de Rommel Equer e Maurício Fuzyama.

O espetáculo tem como uma das principais missões socioeducativas reforçar referências da história do povo negro que é constantemente apagada, dando um olhar representativo principalmente para crianças e jovens. “A gente vive um momento de retrocesso cultural e social. Esse espetáculo vem como uma potência de um trabalho de base para as nossas crianças e jovens, trazendo possibilidades de novas referências, de contar a história por novos pontos de vista”, contou André Lemos.

A idealização é do coletivo artístico “Confraria do Impossível”, que entra em um universo infantil pouco explorado e fundamental para um futuro de médio a longo prazo, trazendo um trabalho inovador, crítico e educativo para que as crianças e jovens possam se sentir cada vez mais representados e os ajude a se tornarem adultos mais conscientes.

A Confraria do Impossível é um coletivo artístico negro empresarial que intervém nas ruas, espaços culturais e transportes públicos na cidade do Rio de Janeiro desde 2009 e visa o trabalho com a arte, a cultura e a educação como forma de reflexão, transformação, aprendizado e conscientização social. Desde 2015 a Confraria do Impossível se mantém de forma independente e autônoma com atividades ininterruptas. Em 2018, a Confraria do Impossível foi indicada ao prêmio Shell de teatro no Rio de Janeiro (considerado o mais importante do país) com o espetáculo “Esperança na Revolta” nas categorias autoria, música e direção, tendo levado o último, que quebrou um histórico de nunca antes um diretor negro ter ganho nesta categoria em 31 anos de história da premiação.

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