Niterói: perigo em duas rodas

Em Niterói, transporte sobre duas rodas, seja de bicicleta, motocicleta ou scooters elétricas, tem se mostrado uma boa alternativa em meio à alta do preço dos combustíveis. No entanto, a modalidade ainda apresenta seus riscos. Os problemas vão desde configuração de semáforos à condição das pistas.

No caso das bicicletas, a malha cicloviária apresentou notável evolução ao longo dos últimos anos, conforme entrevista concedida pelo coordenador do programa Niterói de Bicicleta, Filipe Simões, à edição de 18 de março do jornal A TRIBUNA. Contudo, usuários ainda apontam falhas pontuais no sistema.

De acordo com Anderson Gullo, morador de Icaraí, na Zona Sul, a ciclovia da Avenida Marquês do Paraná o ajuda a chegar mais rápido ao Centro da cidade. No entanto, ele acha injusta a divisão do espaço com scooters elétricas e bicicletas motorizadas, que possuem maior velocidade. Para o ciclista, isto representa risco de acidentes.

“Estou andando bastante de bicicleta porque estou de dieta. A malha está bem legal, tem me atendido bem. Moro em Icaraí, vou ao Centro e volto. O que talvez me assuste um pouco são as bicicletas motorizadas, que são muito rápidas e passam como se fossem motos dentro da ciclovia. Não sei como isso não causa mais acidentes. A gente de bicicleta e o cara meio que com uma moto”, disse.

Sinal demorado faz com que filas se formem na Marquês do Paraná com Miguel de Frias

O entregador Carlos Alberto utiliza a bicicleta para trabalhar. Uma das reclamações feitas por ele é sobre a rapidez do sinal verde para as bicicletas no cruzamento da Marquês do Paraná com a Rua Miguel de Frias, em Icaraí. De acordo com ele, muitos ciclistas ficam aglomerados esperando a liberação do tráfego. A reportagem de A TRIBUNA presenciou o momento em que dois usuários quase colidiram devido à pressa para não perder o sinal.

“Sou ciclista desde os nove anos. Esse sinal demora muito. Até que as ciclovias melhoraram, mas o pessoal não respeita. A maioria dos pedestres não atravessa na faixa e atravessa na ciclovia, em frente à bicicleta. Aí fica ruim. Acaba atrapalhando todos nós. É muita bicicleta dividindo o espaço. Mal agente chega ao meio da rua e o sinal já abre para os carros”, disse Carlos.

Na Rua Presidente Pedreira, faixas estão apagadas e bueiros atrapalham a passagem

Motocicletas

Entre as reclamações mais comuns de motociclistas niteroienses está o trilho de bonde sobre o piso de paralelepípedos na Praça Leoni Ramos (Cantareira), em São Domingos, na Região Central. O entregador Thiago Bittencourt já se acidentou no local. Segundo o profissional, em dias chuvosos é impossível passar por ali por conta do risco de derrapagem.

“Sou motoboy aqui na Rua José Bonifácio. Já caí ali [nos trilhos], na chuva aquilo ali é horrível. No dia de sol também não é bom, tanto para ciclistas quanto para motoqueiros, escorrega muito. O piso não é adequado. Deram uma melhorada há um tempo, mas não está 100%. Tem aquele relevo entre o paralelepípedo e o trilho do trem. Todo dia vejo gente caindo ali”, relatou.

Já para outro entregador, que preferiu não se identificar, os maiores riscos são bueiros na Rua Dr. Paulo Alves, no Ingá, que ficam abaixo do nível do asfalto. “Esses dias quase caí ali. Virei a rua olhando o retrovisor e quando fui ver bati no buraco. Agora eu já sei que tem esse bueiro ali e evito, mas quem não conhece pode acabar se machucando ali”, pontuou.

A Prefeitura de Niterói foi procurada e questionada sobre as reclamações levantadas pelo texto. No entanto, até o fechamento, não havia sido enviada resposta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.