Niterói perde o escritor e jornalista Mário Dias, um ícone da profissão

Niterói perdeu na quarta-feira (24) um de seus maiores e melhores jornalistas. Faleceu aos 78 anos Mário Dias. Uma das figuras mais alegres e conhecidas da cidade, ao longo de quase 60 anos de profissão emprestou seu talento para diversos veículos. Mário deixa três filhos e dois netos. O último adeus da família e amigos será na quinta-feira (25) no Cemitério São Gonçalo.

Prestes a completar 60 anos dedicados à profissão, o jornalista, produtor, radialista e escritor, não resistiu a uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino. Natural de São Gonçalo, Mário Dias se firmou na profissão na antiga capital fluminense, onde atuou em diferentes jornais como A Tribuna, Jornal de Icaraí, que ajudou a fundar junto com Jourdan Amóra e o Fluminense, nesse último responsável por uma sessão dedicada a cobrir o dia a dia das comunidades mais carentes da cidade.
Foi no jornal O Dia que ele viveu seu maior momento na imprensa. Primeiro na sucursal que o popular diário carioca mantinha em Niterói. Era o principal repórter de polícia da sucursal, dirigida por Ruy Santa Cruz e Abel Rodrigues. Em seguida, trabalhou na velha sede da Rua do Riachuelo e cobriu casos importantíssimos do noticiário policial, a maioria reunidos no seu livro Malditos Repórteres de Polícia.
Sua extensa carreira é marcada pela versatilidade: o profissional trabalhou também na redação do jornal “Luta Democrática” e foi produtor da extinta TV Manchete e TV Globo, além de apresentar, produzir e dirigir por mais de 10 anos o programa de TV “Casa da Gente”, exibido em TV’s regionais da cidade de Niterói e na web. Por 18 anos, esteve a frente da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Niterói, durante as gestões dos prefeitos Jorge Roberto Silveira (3 mandatos), João Sampaio e Godofredo Pinto.
A vertente literária também é um dos pontos altos de sua carreira: é autor do “Malditos Repórteres de Polícia”, e “CTI – Antessala da Morte”. Por conta de sua vasta experiência como jornalista investigativo e repórter policial, foi convidado a fazer parte da coletânea “50 anos de crime”, organizada pelo jornalista Fernando Molica, e mais recentemente “Estranha Colheita”, de Carlos Alberto Machado.


Foi protagonista de dois programas “Linha Direta” da TV Globo ao narrar um dos casos mais emblemáticos de sua trajetória como repórter: “O mistério das máscaras de chumbo”. Também já teve passagem pelo cinema, como personagem principal do premiado documentário “Efeito Casemiro”, dirigido por Clarice Saliby.
Como produtor cultural, Mario Dias produziu e apresentou shows de grandes nomes do samba e da MPB como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Alcione, Jovelina Pérola Negra, Dudu Nobre, Arlindo Cruz; entre outros. Nos anos 2000, foi também produtor e assessor de imprensa das duas edições da Micareta do Rio, realizadas no Autódromo e na Praia da Barra da Tijuca. Além disso, é um dos fundadores do Bloco das Piranhas, em Niterói, e liderou durante mais de 15 anos a Festa da Virada, no Réveillon da Praia de Icaraí, além de ser o locutor oficial de diversas atividades culturais na cidade de Niterói.
O samba sempre foi uma de suas grandes paixões: Baluarte e membro da Acadêmicos do Cubango, desde o ano de 1959, quando a escola foi fundada, sendo um dos componentes mais antigos ainda a desfilar na escola. Atualmente, integrava o Conselho Soberano da agremiação, e não há dúvidas de que seu coração é verde-e-branco. Ainda em Niterói, ele atuou como sambista, produtor e jornalista no Carnaval da Cidade, virou enredo do bloco Segundo Clichê, formado por colegas jornalistas, e da escola de samba “Fora de Casa”.
Por mais de 40 anos, Mario Dias participou da cobertura dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro como jornalista, acompanhando toda a evolução da festa; atuando no rádio, TV e jornal. Atualmente, era membro do Conselho Editorial do Jornal Casa da Gente, fundado por ele.
Mario Dias tinha 78 anos, nasceu em 21 de agosto de 1942 e deixa três filhos, Soraia, Mario José e Luana e dois netos, Matheus e Charlote.

Amigos e autoridades lamentam a perda

O prefeito de Niterói, Axel Grael, afirmou que ficou muito triste com o falecimento do jornalista.

“Triste com a notícia da partida do jornalista e escritor niteroiense Mário Dias. Mário foi um grande profissional da imprensa, passou por veículos como O Dia, O Fluminense e a A Tribuna, entre outros. Minha solidariedade e carinho à família”, afirmou.

Mario Sousa, presidente do sindicato dos jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que Mario Dias, era seu amigo e irmão. Os dois trabalharam juntos em vários veículos de imprensa, na Prefeitura de Niterói e na Neltur.

“Vivemos momentos profissionais e pessoais muito fortes. Muitas vezes era um pai para mim e vice e versa. Perdi um grande amigo e irmão, generoso, solidário, talentoso, com um ritmo impressionante de trabalho e uma capacidade de viver e alegria intensa. Faltou o abraço, a despedida, o choro, mas tenho certeza de que ele diria: ‘Não quero choro nem vela’… ‘Não deixe o samba morrer’. Além dos filhos, dos amigos, ele deixa Charlotte, uma luz, sua neta, que nasceu há dias. Mário que tua alegria chegue no céu”, afirmou Sousa.

A escola de samba Acadêmicos do Cubango informou em nota que “recebeu com grande tristeza a notícia da morte do jornalista Mário Dias, de 78 anos. Ele era um apaixonado pela nossa escola e fazia parte do nosso Conselho SoberanoDescanse em paz Mário Dias”.

O vice-prefeito de Niterói, Paulo Bagueira, relembrou que quando pensou em revitalizar o carnaval de Niterói, a primeira pessoa que lhe veio à mente foi o jornalista Mario Dias.

“Niterói se despede hoje (quarta-feira 24) desse grande amigo da cidade. Excelente profissional e um dos maiores amantes do samba da cidade. Era apaixonado pela Cubango, mas torcia para o sucesso de todas as escolas de Niterói. Tive a oportunidade de homenageá-lo no início da minha carreira política e, mais tarde, quando realizávamos, com a sua inestimável ajuda, o Dia do Samba na Câmara de Vereadores de Niterói. Mario Dias fará falta e meus sentimentos aos familiares”, afirmou.

O ex-prefeito de Niterói, Godofredo Pinto, se disse chocado com a notícia e que com o falecimento de Mario Dias, perde não apenas a cidade de Niterói, mas o jornalismo.

“Além de uma relação pessoal intensa comigo, ele teve um papel público para a cidade de Niterói muito relevante, porque ele era um jornalista preocupado com o bem comum. De maneira que fará uma falta enorme à Niterói e fará falta a mim como amigo pela convivência sempre tão fraterna que sempre tivemos”, declarou.

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