Niterói monta roteiro de programação cultural com presença do público

Ficar longe dos palcos. Plateia vazia. Silêncio no lugar das palmas. Essa é a triste realidade atual de quem escolheu a arte e os palcos para viver. Em época de pandemia da Covid-19, onde os equipamentos culturais fecharam, ir ao teatro virou um sonho distante. Mas em Niterói essa realidade está para ser mudada, já que a reabertura dos teatros da cidade, com presença de público, está autorizada desde o dia 22 (sexta-feira) da semana passada, mediante o cumprimento dos protocolos sanitários. E será isso que vai acontecer no mês de maio, já que a programação está sendo elaborada.

Apesar da autorização para funcionamento dos teatros, nenhuma atividade presencial foi marcada desde o dia 22. Mas, para maio, a programação está sendo elaborada pelos equipamentos culturais da administração municipal. Os detalhes, no entanto, ainda não foram divulgados, como, por exemplo, quais locais vão fazer parte desse retorno. Está definido é que as atividades presenciais terão de respeitar os protocolos, para evitar o risco de contaminação pela Covid-19, com limitação de 30% da ocupação máxima, distanciamento das pessoas no espaço de dois metros, álcool em gel, tapete sanitizante, e medição de temperatura.

Atores e diretores de teatro mesclam as emoções no projeto do futuro pós Covid-19. E o medo, a ansiedade, a insegurança e o desejo de voltar a trabalhar fazem parte desses sentimentos. A produtora cultural Camile Siston explicou que dentro da prática de produção cultural teatral, observou que os artistas não deixaram de produzir conteúdo. “Nunca vi tanta produção, transmissão e criatividade artística sendo transmitida. O único e maior problema é a economia em si. Fizemos muito sem ter o retorno financeiro que teríamos através da bilheteria. O que mais me preocupa com a volta à normalidade social é com espaço, o teatro em si. Niterói conta com poucos teatros com estrutura. Será que teremos teatro suficiente para acolher tantas companhias teatrais? Há alguns anos que busco pauta nos teatros da prefeitura, além do nosso teatro da UFF, por oferecer uma melhor condição econômica para as produções. Agora eu não sei quais serão as medidas que os teatros privados vão tomar para sanar a crise econômica que teve com a pandemia”, frisou.

Siston frisou ainda que acha que o público pode ter um receio inicial pela sensação claustrofóbica de estar em um lugar fechado. “Nós, produtores, precisamos nos preparar para este deficit na plateia. Mas aos poucos, todos nós vamos reaver nossa rotina. Acredito que um dia veremos um teatro com 100% da lotação, sem medo de ter contato com outra pessoa”, completou a também jornalista.

Esse é o caso do advogado Pedro parada, que não se sente confortável para ir ao teatro. “Eu como amante do teatro, especial o musical sinto falta desse tipo de atividade nos dias livres. Ir ao teatro e sentir a magia do espetáculo era um dos meus programas culturais favoritos. Atualmente não me sinto seguro pra voltar as peças devido a piora da pandemia. Me sinto mais seguro em lugares ao ar livre, como cafés ou parques, mas entendo que é necessário o retorno de teatros e cinemas, que empregam milhares de pessoas em suas equipes”, declarou.

O diretor da Companhia Arte de Interpretar, Guga Gallo, disse que não foi contemplado em nenhum edital de incentivo a cultura, não fez nenhum conteúdo online, mas mesmo assim é contra a reabertura dos teatros. “Eu sou totalmente contra a reabertura do teatro. Mesmo dentro dos protocolos sanitários. O vírus é muito traiçoeiro e tem novas variantes. Acho que as pessoas não vão ficar à vontade. Não é uma relação entre o público e o ator. Enquanto não tiver todo mundo vacinado, não tem como ficar à vontade. É colocar em risco muitas pessoas. A abertura não pode ser precipitada. Temos que nos adaptar e usar o online ao nosso favor, quando temos incentivo para isso”, contou.

Já o responsável da Cia Jukah de Teatro, Diego Ramos, explicou como os atores da sua companhia lidaram, e continuam lidando, com o momento da pandemia da Covid-19. “Aproveitamos o período para olhar para dentro. A gente usa nosso corpo que é parte do processo de atuação. A gente empresta nosso corpo, nossa alma e nossa energia para vivenciar personagens e dar vida para histórias. Estávamos há 12 anos sem férias e nos primeiros meses dessa pandemia aproveitamos para olhar para a gente e para nossos processos. Reestruturamos os membros e nossas expectativas de trabalho. Hoje participamos de editais de incentivos e conseguimos nos reinventar com espetáculos autorais, com temáticas especiais e estamos escrevendo musicais para conseguirmos manter nosso trabalho. As políticas públicas devem estar voltadas para as companhias”, ponderou Diego.

Raquel Morais

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