Niterói-Manilha: Operação mostra resultado

A segunda versão da Operação Égide, deflagrada na sexta-feira (1º) dividiu opiniões dos motoristas que trafegavam, na manhã de ontem (4), pelo trecho Niterói-Manilha da Rodovia BR-101. A estrada corta regiões de forte atuação do crime organizado, como as comunidades do Complexo do Salgueiro e o bairro do Jardim Catarina, ambos em São Gonçalo.

Para o caminhoneiro Douglas Benevides, de 25 anos, o maior problema no que diz respeito à segurança está justamente nas vias de acesso dessas comunidades para a rodovia. Ele, que é morador de São Gonçalo e utiliza a BR-101 diariamente, afirmou que, no primeiro final de semana da Operação Égide, não notou diferença significativa no policiamento.

“Estou com a mesma sensação de sempre, por enquanto estou vendo tudo normal. Trabalho entregando água. Já fui assaltado, mas não na rodovia e sim nas vias internas. Lá está o maior problema e tinha que ter uma atenção maior. Na região do Salgueiro, Luiz Caçador. De vez em quando está tendo arrastão, roubo de carga. Mas nesse final de semana não vi nada de diferente”, disse.

A cozinheira Elisete Dutra, de 37 anos, é moradora do Jardim Catarina e também utiliza diariamente a BR-101. Contudo, diferente de Douglas, ela sentiu uma breve melhora no patrulhamento desde o começo da operação. Ela conta que já teve um carro roubado, mas no Centro de São Gonçalo. De uma forma geral, ela acredita que, desde quando foi vítima da criminalidade, a segurança evoluiu.

“Estou me sentindo mais segura. Tenho visto muitas viaturas. Mas eu acho que precisa de algo mais, somente polícia não é o suficiente. Algo na parte social. Já fui assaltada de carro, mas dentro de São Gonçalo, perto do cemitério. Eu tinha um Cruze, o bandido colocou a pistola na minha cabeça e levou o carro. Mas, desde então, acredito que melhorou um pouco”, afirmou.


Na manhã de ontem, equipes estavam baseadas na BR-101 – Vítor d’Avila

Também há quem não tenha sentido, nos primeiros dias de reforço, uma melhora significativa do patrulhamento, mas não abre mão da esperança de trafegar pela estrada com maior sensação de segurança. É o caso de Magno Souza, engenheiro civil, de 27 anos. Ele defende que a quantidade de policiais na rodovia seja maior e acredita que, por meio da Operação Égide, isso irá acontecer.

“Só vi operação mesmo na própria sexta, na Ponte Rio-Niterói, tinha até o helicóptero. Fora isso, não vi nenhuma diferença. Final de semana não vi nada de diferente. Moro no Jardim Catarina e passo todo dia pela rodovia. Já tive que fugir do arrastão algumas vezes. A tendência é melhorar. Acho que tem sim que aumentar o policiamento, é necessário. Espero que melhore”, pontuou.

Efetivo

Entre 10h30min e 11h 30min, a reportagem de A TRIBUNA circulou pela BR-101 entre os trechos da Avenida do Contorno, em Niterói, e Niterói-Manilha, até o entroncamento com a BR-493 em Itaboraí. Foram vistas, nesse período, 13 equipes policiais, entre agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Militar (PM), sendo estes últimos em maioris.

Equipes em patrulhamento móvel: PRF (uma viatura em Itaúna, sentido Niterói; uma em Guaxindiba, sentido Manilha). PM (uma equipe da Recom, no Jardim Catarina, sentido Niterói).

Equipes em baseamento: PRF (duas viaturas no Jardim Catarina, sentido Niterói). PM (uma viatura em Neves, sentido Manilha; uma no Porto Novo, sentido Niterói; uma no Porto do Rosa, sentido Manilha; uma no Jardim Catarina, sentido Manilha; uma em Guaxindiba, sentido Niterói; uma em Guaxindiba, sentido Maninha; uma em Santa Luzia, sentido Manilha; e duas na chegada a Manilha).

Domingo movimentado

Na manhã de domingo (3), os PRFs desconfiaram da atitude do motorista de um Captur que, trafegando pela BR 101, em Niterói, trocou subitamente de direção ao avistar a viatura. Os policiais então acompanharam o carro e conseguiram realizar a abordagem. Em vistoria ao veículo, que era conduzido por um homem de 27 anos, os PRFs constataram que as placas eram clonadas, e que o veículo original havia sido roubado em maio de 2021.

Já pela tarde, outra equipe PRF visualizou um motorista de um Siena trafegando pela BR 101, em Niterói, realizando manobras bruscas, instante em que os policiais o seguiram e conseguiram alcançá-lo, abordando-o. Ao fazerem a identificação veicular, os PRFs descobriram que o veículo original havia sido roubado em março de 2020 no Rio de Janeiro, e as placas, que eram clonadas, também estavam com ocorrência de roubo no mês de setembro de 2020, em São João de Meriti. Ambas as ocorrências foram da Operação Égide.

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