Niterói lança projeto para destravar o setor naval

Raquel Morais –

O auditório da Firjan Regional Leste Fluminense, no Centro de Niterói, foi palco do lançamento do projeto “PoloMAR Niterói – A Ativação Econômica da Frente Marítima da Cidade”. Foram apresentadas seis políticas públicas para movimentar o setor naval e entre os objetivos está a dragagem do Canal de São Lourenço. O investimento será de R$ 200 milhões com perspectiva de retorno da verba, custeada pela prefeitura, em dois anos.

Os eixos pretendem gerar empregos, o desenvolvimento econômico e retomada no setor naval divididos em quatro setores que serão diretamente impactados: Óleo e Gás (O&G), Naval, Portuário e Pesca. As atividades no setor do O&G englobam produção e manutenção de peças e equipamentos e prestadores de serviços; no setor marítimo serão envolvidas construções de embarcações de grande e médio porte e lazer, manutenção e reparo de embarcações de apoio e navios e construção e integração de módulos para embarcações e plataformas. Já no setor portuário estão previstas operações de navegação e de apoio logístico offshore e no ramo de pesca estão previstas indústrias de pesca e armazenamento e distribuição.

A secretária de Fazenda de Niterói, Giovanna Victer, reforçou que Niterói está em um ponto perto das duas bacias principais do Rio de Janeiro – a de Campos e de Santos – e o município sempre foi referência no setor que tem grande chance de retomada através desse projeto. “Somos competitivos pelo ponto de vista salarial, temos mão de obra qualificada, temos uma história no setor naval respeitada e temos um setor de pesca em potencial. Isso tudo permite a revitalização e por isso demoramos quatro meses para fazer esse relatório, pois precisava estar muito bem elaborado. Para isso até fizemos o comparativo com dez cidades brasileiras”, contou. Victer ainda reforçou que a estimativa é o retorno do investimento somente pelo Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) nos próximos dois anos.

O presidente da Firjan Leste Fluminense, Luiz Césio Caetano; o prefeito Rodrigo Neves, e os secretários municipais Giovanna Victer e Luiz Paulino / Foto: Rodrigo Campanario

Sobre a dragagem do canal o diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Hidroviária (INPH), Domênico Accetta, também estava entusiasmado com o projeto. “Niteroienses vimos a degradação do nosso porto de Niterói e hoje temos um plano interessado nessa retomada. É muito importante a modernização do acesso aquaviário no entorno de Niterói. Isso vai potencializar os estaleiros e a ampliação do nosso mercado. A dragagem vai voltar ao que era antes, o que não é feito há mais de 50 anos, e quando a dragagem for feita será um avanço violento”, explicou.

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, frisou que o projeto é resultado de ação estratégica e planejamento. “Temos que ter um plano para a retomada do pré-sal e não podemos deixar como está. Na Avenida do Contorno temos um cemitério de empresas e isso não pode acontecer. Estou convencido que é justo e razoável, que vai dar um retorno para a cidade, que vale a pena o investimento no setor”, comemorou.

Entre 2014 e 2019 Niterói perdeu cerca de 30 mil empregos privados e até 2030 a expectativa é a geração de 49 mil postos de trabalho. “Toda política pública tem um valor e nosso pressuposto é a geração de emprego e criação de prosperidade para a cidade”, completou Victer.

“O plano materializa o produto econômico da cidade e esse é um tema que pela primeira vez estamos tendo uma narrativa concreta para se dizer. O segundo ponto favorável é que conseguimos mapear o polo produtivo, com 164 empresas na cidade de Niterói. O ciclo do investimento dessa cadeia é de fases e estamos conversando com esses empresários e entender, da parte deles, sendo que já existirá um plano de dragagem que instrumentaliza uma melhor mobilidade, qual o objetivo desses empresários”, explicou o presidente da Niterói Negócios, Marcelo Haddad.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) vai apresentar um parecer técnico para a viabilidade desse projeto, seguido do parecer jurídico e a licença para efetivação dragagem, o que está previsto para janeiro de 2020. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino Moreira, mostrou emoção ao comentar o projeto. “O projeto tem 20 anos e o sonho tem mais de 40 anos. Mas estamos vendo que vamos nos tornar um grande exportador de pescado do Brasil, com um porto mais moderno”, sintetizou. O mesmo aconteceu com o deputado estadual Paulo Bagueira. “Os projetos dessa cidade saem do papel e isso me deixa muito feliz. Temos uma cidade com cerca de 30 mil desempregados e esses são em sua maioria da área naval e temos tudo para mudar isso”, completou.

Axel Grael, secretário Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (Seplag), disse que esse plano estratégico mostra a expansão do planejamento para a cidade de Niterói para limites dentro da Baía de Guanabara, em função da nova territorialidade. O mesmo reforçou Luiz Césio Caetano é presidente da Firjan Regional Leste Fluminense

“O tema é importante para a cidade e principalmente para o desenvolvimento regional. Dentro dos objetivos a casa prevê o apoio para desenvolvimento da indústria naval pois ela tem um impacto muito grande na sua rede de demandas. Isso tem reflexo na construção civil pesca, educação e muitos outros setores”.

O almirante Walter Lucas da Silva também comemorou a apresentação do projeto. “Toda a alegria que estamos vendo na confiança do que pode acontecer. Um projeto com muitas informações que dá certeza de sucesso. A visão que tem hoje Niterói na economia do mar vai gerar emprego, renda e bem estar. Tenho certeza que será bom para Niterói e outras cidades do Rio de Janeiro”, reforçou. Também participaram da solenidade líderes empresariais, executivos e investidores, além do deputado estadual Waldeck Carneiro, presidente da Câmara dos Vereadores de Niterói Milton Cal e parte do secretariado da administração municipal.

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