NITERÓI – ESVAZIAMENTO CONTÍNUO


Célio Junger Vidaurre* –
Desde a década de 1960 quando ocorreu a inauguração de Brasília e depois com o fenômeno da fusão entre os estados da Guanabara e Rio de Janeiro, Niterói foi perdendo paulatinamente sua hegemonia política ano a ano por um motivo simples: falta de sensibilidade de sua classe política. Já em 1962 com a eleição do médico humanista Silvio Picanço para a prefeitura e sua inexplicável cassação logo depois de um ano no cargo, a ex capital começou a ter revezes seguidos. Seu vice Emilio Abunaman assumiu e ficou até o fim de 1970, ou seja, por quase sete anos sem nada de produtivo para contar. Até hoje ninguém entendeu aquela injustiça contra o Dr. Silvio. Foram tantos golpes sofridos pela cidade que os grandes jornais do Rio e São Paulo aqui mantinham suas sucursais, elas foram desativadas deixando um vácuo e sem mercado de trabalho para os profissionais da imprensa.
E começa aí a outra fase de nomeações para a chefia do executivo municipal, já que nos anos 1940 e 1950 o interventor e governador Amaral Peixoto (12 anos) designou vários nomes que excluindo Brandão Jr. que ficou mais tempo na função e teve a chance de promover o prolongamento da Av. Amaral Peixoto até a Marques do Paraná. Os outros desse tempo não se tem notícia de nada que tenham feito. E, talvez, nem tiveram oportunidades, pois, a maior parte nem ficava um ano no cargo. Outra façanha de nossos governadores era a de nomear gente que não era da cidade. Jamais esses prefeitos nomeados perceberam os “entraves’’ no centro da cidade que, claramente, iriam atrapalhar no futuro o progresso do município: Os morros do Estado e de São Lourenço.
Por que no tempo oportuno não desativaram aqueles entraves? No Rio de Janeiro deram fim no chamado morro do Castelo no centro da cidade e no morro de Vila Kennedy para servir de aterro na praia do Flamengo. E os caras daqui sabiam que desde 1968 havia começado a construção da grande obra da Ponte Rio-Niterói que anunciava um grande problema para Niterói. Pior ainda foi a atitude de um prefeito que desativou uma pedreira existente na rua Indígena há uns 40 anos em face de reclamações de meia dúzia de moradores das imediações que daria, por certo, o fim daquele obstáculo que hoje está impedindo que a rua Benjamin Constant se prolongasse até o bairro de Santa Rosa e o mesmo com a rua Marechal Deodoro.
Outra aberração cometida por um prefeito mais recente foi aquela de interceptar o que já haviam projetado há anos na cidade com referência à rua Coronel Moreira César com esquina de Miguel de Frias para que ela fosse prolongada até rua Fagundes Varela e, assim, facilitasse chegar mais rápido ao bairro do Ingá e ao centro da cidade. Mas, não, preferiram atender o sistema imobiliário e ali construíram vários prédios que interromperam o acesso que facilitaria um melhor fluxo no trânsito.
Voltando à fusão decretada pelo presidente de plantão, general Ernesto Geisel, em 1974. A situação tornou-se caótica com a insensibilidade política de nossa gente detentora de poder no município. Já tínhamos passado pelo tempo de Amaral Peixoto por aqui, nomeando pessoas de outros municípios para gerir a “Cidade Sorriso”. Chegou ao ponto de apoiar um cidadão do Piauí para administrar Niterói por seis anos. Esse contratou o arquiteto Jaime Lerner, do Paraná, e foi construído um terminal de passageiros que, logo depois, foi desativado. Aquelas vultosas verbas liberadas pelo então ministro Mario Andréaza virou pó na beira da Baía de Guanabara. Contudo, Amaral ajudou muita gente no tempo que não havia concurso público. Além disso, construiu boas escolas na cidade e no estado.
O que o niteroiense ainda não conseguiu perceber é que após a promulgação da Constituição 1988 não há entre os cinco mil municípios brasileiros nenhum outro com os privilégios que Niterói passou a ter. As transformações na arrecadação passaram ser gigantescas que, sem qualquer medo de errar, a cidade tem capacidade de vida própria sem qualquer necessidade de ajuda de governo estadual ou federal. E, por isso, que Niterói era para ser muito mais bela do que é, se, realmente, seus gestores tivessem zelado por ela como deveriam. Claro, que o Museu de Arte Contemporânea – MAC, e o recém-construído túnel Charitas x Cafubá foram duas obras de relevo que embelezaram e deram alguma estrutura para a cidade, todavia, foi muito pouco para o tamanho do orçamento que o município é detentor.

O passado não pode servir para esconder o presente!!!

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