Niterói e SG têm 15 casos de desaparecidos

Há alguns dias o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) lançou uma campanha para conscientizar a população da América Latina sobre sobre o desaparecimento de pessoas na região e as consequências para seus familiares. O trabalho, inclusive com vídeo, é baseado em histórias reais e mostra depoimentos de pais que buscam seus filhos, mas são as fotos dos próprios desaparecidos que contam as histórias.

“Sem saber o que se passou com seus entes queridos, desaparecidos, os familiares alternam seu cotidiano entre a esperança e o desespero, o que os impulsiona a dedicar sua vida, seu tempo e quase sempre todos os seus recursos a uma procura incessante”, afirmou a coordenadora de Proteção da Delegação Regional do CICV para Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, Marianne Pecassou. A campanha mostra que a angústia pela falta de respostas e todos os desgastes da busca geram impactos em sua saúde física e mental, nas suas relações familiares e comunitárias, em sua condição econômica e trazem problemas jurídicos e administrativos diversos, acrescentou ela. Segundo a CIVC, no Brasil foram registrados mais de 82 mil casos de desaparecimentos em 2017.

No México, foram 40 mil entre 2006 e 2019. De acordo com a organização, os dados regionais são alarmantes, mas ainda não trazem a real dimensão do problema na América Latina e no mundo, já que por trás dos números há famílias que passam por necessidades. A campanha foi lançada simultaneamente em vários países da América Latina, entre eles Brasil, Colômbia, México e Peru. O Programa Desaparecidos faz parte das ações desenvolvidas pelo Disque-Denúncia do Rio na área de Direitos Humanos. Para auxiliar a identificação e localização de pessoas desaparecidas foi estabelecida parceria com o Ministério Público (MPRJ), cujo Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid) passou a ter suas operações integradas com o Disque Denúncia, para manutenção do Portal Procurados. Assim, quem desejar comunicar casos de desaparecimento, encontros de desaparecidos ou prestar informações que auxiliem nas buscas poderá fazê-lo através do Disque-Denúncia, no telefone (21) 2253-1177. Neste caso, as informações prestadas serão incorporadas ao banco de dados do Plid, que funciona junto ao Centro Integrado de Apuração Criminal (Ciac). É importante que o fato tenha registro de ocorrência em uma delegacia para fazer parte do Programa Desaparecidos.

Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá tem 25 comunicações
De acordo com os mais recentes dados do programa, referentes a 2019, o município do Rio tem o maior percentual de registros (comunicação) de pessoas desaparecidas, 98, correspondendo a 59,76% do total informado. Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, tem 7,93%, com 13 desaparecidos, Niterói, 9 (5,49%), São Gonçalo, 8 (4,88%), Itaboraí, 7 (4,27%), Araruama, Rio das Ostras, Cabo Frio e Maricá 1 desaparecido cada. No caso específico de Niterói são 4 no bairro de Icaraí, 2 no Ingá, 1 no Barreto, 1 no Centro e 1 no Fonseca. Em São Gonçalo são 2 em Guaxindiba, 1 no Lindo Parque, 1 em Santa Izabel, 1 em Tribobó, 1 em Alcântara e 1 no Jardim Bom Retiro.

A parceria firmada com o MP visa oferecer mais publicidade a dados sobre a comunicação de desaparecidos e assim permitir que a sociedade se torne uma aliada na localização e identificação dessas pessoas. A população terá acesso aos dados, a fotografias dos desaparecidos e também às investigações. No mês passado, o Disque Denúncia reativou o programa de desaparecidos no Sul do Rio, com objetivo é ajudar pessoas em busca de familiares e amigos que encontram-se desaparecidos. Para que a pessoa desaparecida seja encontrada o mais rápido possível, a família precisa ir a uma delegacia e fazer o Registro de Ocorrência, pois é esse registro que oficializa o desaparecimento de uma pessoa para o poder público.

Vale ressaltar que não há prazo específico para que o registro seja feito na delegacia e as autoridades não podem se negar a fazê-lo, mesmo antes de 24h. Pelo contrário, quanto mais rápido for feito, maiores são as possibilidades de localização da pessoa. O segundo passo é procurar contato com o Programa Desaparecidos do Disque Denuncia para que o cartaz possa ser feito e divulgado. A pessoa é considerada desaparecida quando não pode ser localizada nos lugares que costuma frequentar, nem ser encontrada de qualquer outra forma.

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