Niterói e Rio fecham parceria para combate à emergência climática

Cidades se unem para participar de eventos internacional ligados ao tema

As cidades do Rio e Niterói realizaram ontem (20) um acordo de cooperação para a defesa de uma agenda unifica de combate à emergência climática, com foco na gestão de recursos hídricos. O plano é formar uma “megacidade” para representar o setor público na Aliança de Megacidades para a Água e o Clima, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A parceria entre os dois municípios se inicia com uma ação unificada na II Conferência Internacional sobre Água, Megacidades e Mudança Global, de 11 a 14 de janeiro de 2022, em Paris. Além disso, Niterói deve representar, segundo declaração de Eduardo Paes, ambas as cidades na COP26, conferência que será realizada na Escócia entre 31 de outubro e 12 de novembro.

O documento foi assinado pelos prefeitos de Niterói, Axel Grael, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, no Museu do Amanhã, no Centro do Rio. Os secretários municipais de Meio Ambiente do Rio, Eduardo Cavaliere, e do Clima de Niterói, Luciano Paez, são os representantes das duas prefeituras. Além de Rio-Niterói, São Paulo é a outra megacidade brasileira.

O prefeito de Niterói, Axel Grael, explicou que o acordo não será voltado somente para a participação de eventos internacionais que abordam a questão climática. O chefe do Executivo niteroiense explicou que a agenda visa a integração “das políticas na área climática e ambiental”.

“Tanto o Rio de Janeiro quanto Niterói têm um pioneirismo no tema ambiental no país. Ainda no caso de Niterói, a cidade foi a primeira a criar uma secretaria voltada para debater o clima, que é chefiada pelo Luciano Paez. Essas ações serão duradouras até porque ambas as cidades tem condições muito parecidas na geografia, no relevo e no clima. Então a experiência de uma cidade contribui no aprendizado da outra. Então tem tudo a ver que a gente integre os trabalhos acadêmicos que são feitos tanto em Niterói como no Rio. O que a gente deseja é aproximar as nossas administrações para que a gente desenvolva de uma forma conjunta essas políticas e que a gente possa compartilhar com isso outras cidades e também com outras regiões metropolitana”, comentou Axel.

O prefeito niteroiense citou outros desafios que estão em comum com o município carioca. Os recursos hídricos e os problemas dos deslizamentos de encostas nas áreas de morros.

“Água é um elemento escasso na Região Metropolitana do Rio de Janeiro pelo fato de termos dois sistemas que dependem de uma gestão muito responsável para que a gente consiga manter a segurança hídrica dos dois lados que forma a Região Metropolitana, das cidades vizinhas à capital e dos municípios ao lado de Niterói. E nós tempos também as mesmas vulnerabilidades em termos de fragilidades de encostas, muito em função de chuvas fortes, algo que também tem a ver com nossas bacias hidrográficas”, argumentou.

Sobre a participação de municípios da Baixada Fluminense e de São Gonçalo no acordo, Axel explicou que como Rio e Niterói ficam no “coração” de cada partes das duas áreas que formam a Região Metropolitana da capital. Por isso, é “fundamental” que o trabalho integre “as outras municipalidades”.

Abrigando 61% da população da Região Metropolitana do Rio e integrantes da bacia hidrográfica da Baía de Guanabara (com quase 40% da população deste território), Rio e Niterói estarão juntas em ações e planos relacionados à pesquisa, soluções técnicas, educação ambiental, informação e políticas públicas relacionadas à gestão hídrica e mudanças climáticas.

“Esse é um momento especial porque consolida uma parceria que está virando um bom hábito. São duas cidades com geografia muito parecidas e estão nas duas pontas da Baía de Guanabara. Niterói endereçou de forma muito adiantada a questão do saneamento básico, é uma ilha em uma Região Metropolitana muito complexa. A agenda ambiental hoje é uma agenda social, porque aqueles que mais sofrem são os mais pobres e vulneráveis”, lembrou o prefeito carioca Eduardo Paes.

Niterói tem o objetivo de neutralizar as emissões de carbono até 2050. A prefeitura finaliza seu planejamento para apresentá-lo até o fim do ano. A cidade tem a primeira Secretaria dedicada exclusivamente às questões climáticas. A Prefeitura de Niterói já desenvolve projetos voltados para educação ambiental, preservação de parques e florestas, recuperação da Lagoa de Piratininga, iniciativas de reflorestamento, controle da emissão de gases do efeito estufa, saneamento, entre outros.

Niterói e Rio têm planos com metas ambiciosas para enfrentamento das mudanças do clima. A capital anunciou, em março de 2022, o Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática (PDS), que estabelece metas até 2030 e 2050. No PDS, são ao todo 134 metas estabelecidas para serem atingidas até 2030, desdobradas em 978 ações, além de medidas que se espera atingir até 2050. Um dos objetivos é alcançar, até 2030, a redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa em relação às emissões de 2017.

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