Rio e Niterói adotam novas medidas restritivas a partir de sexta-feira

O prefeito de Niterói, Axel Grael (PDT), e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), anunciaram na segunda-feira (22) durante uma entrevista coletiva concedida no Teatro Popular de Niterói, no Centro da cidade, novas ações no enfrentamento à Covid-19 em ambas as cidades. As medidas visam conter a circulação de pessoas nos 10 dias de abrangência do superferiado anunciado pelo governo do Estado, entre os dias 26 de março e 4 de abril. As medidas serão similares e buscam o encerramento de atividades consideradas não essenciais.

Antes da apresentação das novas medidas, Grael ressaltou a importância das duas cidades caminharem juntas e que o que ocorre em uma impacta na outra. Em seu desejo, tais medidas deveriam ser coordenadas pelo governo do estado, mas em sua falta estão sendo implementadas pelos municípios. “O Rio e Niterói sofrem com a falta de ação de cidades vizinhas, por isso procuraram o governador em exercício, Cláudio Castro, mas não foi conseguido um consenso em relação às medidas a serem adotadas”, afirmou o prefeito de Niterói reafirmando que todas as medidas que estão sendo tomadas foram aconselhadas pelos comitês científicos das duas cidades.

Eduardo Paes afirmou que as medidas foram tomadas por não haver negacionismo no comando de ambas as prefeituras. Antes da entrevista, o prefeito do Rio fez uma postagem nas redes sociais satirizando o fato do o governador não querer fechar bares e restaurantes, chamando o feriadão ser restrições de “Castrofolia” e o comparando a uma “micareta”.

“A pior coisa nesse momento é a desinformação. Quando você faz um feriado e deixa tudo funcionando, as pessoas não vão entender o recado de restrições. A ideia de antecipação dos feriados fui eu que dei para o governador. Na cidade do Rio de Janeiro, valerão as regras da prefeitura do Rio de Janeiro”, disse Paes quando questionado sobre possíveis conflitos entre o decreto das prefeituras e o decreto estadual.

Secretários falam sobre o cenário

Os secretários municipais de Saúde de Niterói, Rodrigo Oliveira, e do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, fizeram uma avaliação da pandemia no Rio e Niterói. Foi consenso entre os dois a necessidade urgente de medidas restritivas de circulação e aglomeração de pessoas, considerando o aumento de casos, óbitos, atendimentos hospitalares e lotação das redes pública e privada.

“É preciso produzir uma integração na luta contra a pandemia. Tivemos uma taxa de crescimento no número de casos e de ocupação de UTI. Nos leitos do SUS em Niterói, a ocupação saltou de 50% para 80% em poucas semanas”, avaliou Rodrigo Oliveira.

Daniel Soranz apontou que o momento é muito duro e muito difícil. “Não são medidas simples, mas são necessárias. A admissão por dia no sistema do SUS no Rio de Janeiro cresce a cada dia. Durante toda a pandemia nunca se teve tantas pessoas internadas em leitos de CTI como agora, mesmo a gente tendo aumentado o número de leitos”, afirmou.

De acordo com os dados apresentados na entrevista, Niterói tem atualmente 80% na taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), dados do último dia 18. Na rede provada a ocupação é de 49%. Já no Rio de Janeiro, a taxa de ocupação das UTIs passa dos 90% e leitos de enfermaria está próximo dos 80% de ocupação.

O que muda?

As novas medidas serão publicadas nos Diários Oficiais das duas cidades de amanhã (23), e trazem basicamente um mesmo pacote de medidas a serem adotadas a partir da próxima sexta-feira (26). Desta forma ficará proibida a permanência de pessoas em vias públicas das 23h às 05h, assim como o funcionamento de museus, galerias, bibliotecas, cinemas, teatros, casas de espetáculo e salas de apresentação. Boates, danceterias, salões de dança e casas de festa não podem realizar nenhuma forma de evento entre esses dias. Também não poderão abrir os salões de cabeleireiro, barbearias, institutos de beleza e estética. Clubes sociais e esportivos, serviços de lazer, parques de diversões e circos não poderão funcionar na cidade.

Como o Estado decretará feriado, estabelecimentos de ensino em geral, incluindo os de curso superior, assim como as escolas de música e cursos de idiomas ou preparatórios, não poderão abrir. O mesmo vale para as escolas de formação de condutores.

Algumas atividades poderão funcionar desde que atendam algumas medidas. Este é o caso de bares, restaurantes e lanchonetes apenas poderão funcionar para fazer entregas em domicílio ou no sistema drive-thru, com a retirada da comida no local para consumir em casa, sendo proibida a consumação e a permanência no estabelecimento.

Quiosques das praias do Rio estão fechados em cumprimento ao decreto municipal. As novas restrições impostas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, para tentar combater o avanço da Covid-19, entraram em vigor nesta sexta-feira(5), e vão se estender até a próxima quinta-feira(11), em um período inicial de teste.

Serão mantidos a oferta de transporte público, para que seja garantido o acesso dos profissionais de saúde e demais trabalhadores das áreas essenciais que seguirão em funcionamento. O atendimento presencial seguirá apenas para aquelas atividades consideradas essenciais, como: transporte de passageiros; atividades industriais e obras de construção civil; serviços de entrega em domicílio; serviços de telecomunicações, teleatendimento e call center; serviços funerários; serviços de lavanderia; e demais atividades que não admitam paralisação. Os servidores das duas prefeituras que possam trabalhar de forma remota adotarão o teletrabalho, assim como é aconselhado para as empresas e outros serviços privados.

Será permitida também a prática de atividade física, desde que de forma individual, nas praças, parques, no calçadão das praias, ruas da cidade, bem como nos espaços abertos de uso comum em áreas particulares, como condomínios. Práticas de esporte que sejam coletivos e que gerem aglomeração não serão permitidos. Nas praias, não será permitida a permanência na areia.

Poderão funcionar os serviços assistenciais de saúde, farmácias e comércio de equipamentos médicos e suplementares, óticas e comércio de materiais de construção. Assim como toda a rede de assistência veterinária e lojas de pet shop.

Entidades comentam novas medidas restritivas

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) emitiu uma nota questionando as medidas por entender que a proposta do Governo do Estado tenha uma flexibilidade maior.

“A entidade espera que essas medidas de lockdown venham acompanhadas de ações compensatórias para que as empresas possam sobreviver e manter o emprego e a renda. As empresas não podem ser tratadas como ilhas de prosperidade que se sustentam com as portas fechadas”, diz a nota oficial.

Comércio e atividades consideradas não essenciais fecham as portas durante lockdown no Distrito Federal.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também emitiu uma nota na qual reitera sua solidariedade com as famílias das quase 300 mil vítimas da Covid-19, mas solidarizando-se também com os milhões de empresários e trabalhadores que sofreram as consequências econômicas. “Sempre considerando um caráter excepcional e temporário de medidas restritivas em relação a aglomerações evitáveis, os governos devem estar atentos para não provocarem a disrupção das cadeias produtivas, mal que potencializará os efeitos negativos da pandemia, em vez de mitigá-los”, afirmou a nota.

Niterói mantém programas para auxiliar empresas e manter empregos

Com o objetivo de minimizar os impactos sociais e econômicos das medidas restritivas adotadas no combate à pandemia, a Prefeitura de Niterói instituiu, em abril do ano passado 2020, os programas Renda Básica Temporária, Busca Ativa e Empresa Cidadā, que foram prorrogados até julho de 2021.

O município investiu, até o momento, R$ 300 milhões, no pagamento dos benefícios e, com a prorrogação até julho, serão mais R$ 111 milhões gastos para conter os efeitos dos fechamentos decretados para impedir o avanço das contaminações.

Marcelo Almeida

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