Niterói é o 5º município no Estado com mais empregos extintos

Anderson Carvalho

Com 2,5 mil postos de trabalho fechados entre janeiro e abril deste ano, Niterói é o 5º município do estado a encerrar vagas. As informações são da Sondagem Industrial do Leste Fluminense, feita pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e divulgada esta semana. De acordo com a entidade, os setores que mais tiveram postos fechados foram o comércio (1,2 mil) e o de serviços (719). O restante fica com os demais segmentos, como alimentos, construção civil e indústria naval. Tudo consequência da crise econômica do país e principalmente, do estado.

“Niterói sofreu duramente o impacto da crise. Os empresários não veem perspectivas de melhorias no futuro. Em número de postos de trabalho fechados perde no estado apenas para a capital, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Macaé. Ao todo, o Leste Fluminense perdeu 5,8 mil postos este ano. Só o comércio teve 3,5 mil. No setor de serviços foram 1,9 mil”, informou Júlia Pestana, analista de Estudos Econômicos da Firjan.

De acordo com a entidade, o PIB (Produto Interno Bruto) do Leste Fluminense representa 15,4% do estado. São 44,5 mil empresas que empregam 518,7 mil funcionários, representando 12% de todo o território fluminense. Niterói tem 17.184 empresas que empregam 197.001 trabalhadores. O PIB per capita da cidade é de R$ 49.493,56. É o 18º maior do estado.

O contador Leonardo Ferraz, de 23 anos, da New Space Contábil, do centro de Niterói, embora não tenha perdido clientes por conta da crise, testemunhou o fechamento de lojas na região. “Conhecia três estabelecimentos, tradicionais, aqui nas proximidades que fecharam suas portas por conta da crise. Um colega meu de profissão, que presta serviços exclusivamente na área médica, contou que teve de reduzir o valor de seus honorários, já que vários de seus clientes tiveram perda de receita”, contou o contabilista.

O comerciante Paulo Belladonna, de 55 anos, tem duas lojas no bairro Ponta da Areia, uma do lado da outra, sendo a primeira de produtos de limpeza e para banheiro e a outra, de materiais para a área naval. Seus estabelecimentos amargaram uma queda de 70% no movimento desde o início da crise. “Niterói era movida à área naval. Ela praticamente acabou. Minhas lojas e muitas aqui na região estão vazias. As pessoas, sem dinheiro, não compram nada. As empresas que compravam de mim estão parcelando a perder de vista. Outras deixaram de pagar. Eu tinha três depósitos e fechei dois. O que restou também penso em fechar. Não tenho porque ter material estocado. Muita despesa. Eu demiti dois funcionários e estou para dispensar mais um. Tenho ainda sete comigo. Todos tinham plano de saúde igual ao meu. Precisei cortar”, lamentou Belladonna, com 28 anos de comércio.

A Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) fará no próximo dia 22 audiência pública sobre a crise no comércio. “Reuniremos os representantes das câmaras de dirigentes lojistas dos municípios fluminenses. Além da situação recessiva em que se encontra o Brasil, que provocou a queda do poder de compra dos cidadãos, o governo do estado tomou uma medida que piorou o quadro ainda mais, ao aumentar a alíquota da contribuição previdenciária do servidor de 11% para 14%. Sobre a indústria naval, defendo a investigação contra qualquer pessoa que tenha espoliado a empresa, mas, esta não deve ser achincalhada. A Política de Conteúdo Local, que incentiva encomenda aos estaleiros do país pela Petrobras, deve ser mantida”, declarou o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT), presidente da Comissão.

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